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Nortícia CulturaCarnaval das Águas

Escolas de samba de Belém marcam datas para o Carnaval 2027 com tema das Águas

Desfiles oficiais acontecem em 19 e 20 de fevereiro na Aldeia Cabana; cronograma completo com ensaios técnicos foi divulgado em evento no Mercado de São Brás.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 607 palavras
Pista da Aldeia Cabana iluminada durante desfile de escola de samba em noite de carnaval em Belém.
Desfiles oficiais acontecem em 19 e 20 de fevereiro na Aldeia Cabana; cronograma completo com ensaio · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de tinta fresca no asfalto da Aldeia Cabana ainda vai demorar meses para tomar o ar, mas o baixo da bateria já começa a marcar o passo na mente dos foliões. É junho, o céu de Belém ameaça chuva, mas o coração do carnaval paraense acelera ao som do anúncio oficial das datas para 2027. A festa, agora batizada de "Carnaval das Águas", promete invadir o "quilombo da Cabanagem" nos dias 19 e 20 de fevereiro, resgatando a força das marés que definem esta cidade e as agremiações que ali desfilam com o orgulho de quem conhece o rio pela cor e pela gula.

No Mercado de São Brás, entre o cheiro forte de pescado fresco e o rebuliço das feiras da madrugada, a direção da Escolas de Samba Associadas (ESA) revelou o cronograma que vai mobilizar bairros inteiros e costurar a comunidade. Não é apenas um calendário de datas solto no papel; é o mapa de uma resistência cultural que acontece com firmeza fora do eixo Rio-São Paulo. Milton Cunha, o carnavalesco paraense que carrega o mangue no currículo carioca e o Norte na voz, estava lá para celebrar. Ele trouxe o olhar de fora para dentro, reafirmando a potência de fazer a cultura invadir o quilombo, uma referência simbólica forte à Aldeia Cabana, palco que carrega o peso histórico e o sangue da Cabanagem nas suas estruturas de madeira e metal.

A preparação para o domingo e segunda de carnaval é ritualística e começa antes mesmo do ano virar. No dia 29 de agosto, o sorteio da ordem de desfile define quem abre a noite e quem tem a responsabilidade de encerrar, um momento de tensão e estratégia pura onde os presidentes de agremiação calculam o impacto da lua, do horário e da temperatura no julgamento dos jurados. Em novembro, o aquecimento vem com o mini desfile, uma prévia íntima do que está por vir, onde a plateia pode ver o acabamento das fantasias e o brilho de perto, sem a pressão da noite oficial.

Janeiro é o mês onde o suor ensaiado substitui a chuva. No dia 10, o Bloco Ensaio Geral ESA toma as ruas, antecipando o samba no pé para quem não tem paciência para esperar o verão. Os dias 16 e 17 de fevereiro ficam reservados para o ajuste fino: são os ensaios técnicos onde se checa a iluminação, a cobertura da caixa de som e o encaixe preciso das enormes alegorias na pista, muitas vezes construídas com a engenhosidade das comunidades. É quando a festa ganha contorno e volume, ocupando o espaço físico e sonoro do bairro.

Então, chega o ápice esperado. 19 e 20 de fevereiro são para a avenida, sem piedade para o cansaço. É quando o "Carnaval das Águas" se materializa em pluma e paetê, mas também na lama dos pés descalços e no suor das costas. O tema escolhido dialoga diretamente com a identidade amazônica, lembrando que somos uma cidade banhada por rios, abraçada pela baía e atravessada por igarapés. A água que desce no céu ou que sobe nos rios é a protagonista. A apuração das notas, que deixa o suspense no ar por mais alguns dias de resenha, está marcada para o dia 24, fechando o ciclo de mais um ano de paixão e disputa pelo samba em terra paraense.

Para quem quer mergulhar de cabeça nessa história, o palco já está definido. O encontro de 2027 é na Aldeia Cabana, o templo do samba de Belém. Chegue cedo, hidrate-se e prepare a garganta para cantar o hino até o último grito, porque a água vai passar e o carnaval vai levar.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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