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Nortícia CulturaFestas Juninas em Manaus

44º Arraial do CSU abre em Manaus com mês de festas juninas gratuitas

Tradicional evento do CSU Parque Dez ocorre até 5 de julho. São mais de 300 apresentações de quadrilhas e danças, além de parque de diversões, com entrada franca.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 656 palavras
Palco iluminado do festival com apresentação de quadrilha junina no CSU Parque Dez, em Manaus.
Tradicional evento do CSU Parque Dez ocorre até 5 de julho. São mais de 300 apresentações de quadril · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de milho assado e o fumaçar da churrasqueira da barraca da dona Maria batem forte no ar do Parque Dez antes mesmo do sol se pôr. O som grave do zabumba estrondando na lona debruada na avenida Constantino Nery anuncia que Manaus virou o sertão por mais um mês. É o Arraial do CSU, que chega na 44ª edição com a promessa de fazer a poeira — e o suor — subir nos pés de quem entra na dança.

A programação abre as portas na próxima quarta-feira (4), transformando o Complexo Social Urbano Professora Lucy Omena no maior palco das festas juninas da capital amazonense. Até o dia 5 de julho, o espaço deixa de ser apenas um equipamento público para virar o quintal da cidade, onde a memória da imigração nordestina que forjou Manaus se reencontra com a cultura local. O evento é gratuito e diário, funcionando das 18h à meia-noite para quem quiser se aventurar pelo piso cimentado do CSU.

Quem passa pela Zona Centro-Sul não ignora o convite. São mais de 300 apresentações agendadas para abrilhantar a noite. Não se trata apenas de repetir fórmulas comerciais de festas de shopping center. Aqui, o folclore tem peso e o povo veste a roupa de caipira mesmo sob o calor equatorial. Há quadrilhas que ensaiam o ano inteiro para o momento em que o juiz apita o início da marcação, e cirandas que resgatam o ritmo lento e envolvente das margens do Rio Negro, o puxador gritando versos que o coro responde em uníssono.

Nesta edição, a tradição abraça o lazer moderno. O parque de diversões se espalha pelos arredores, com as luzes da roda-gigante pintando o céu noturno de Manaus com cores neon, criando um contraste visual quase onírico com o brilho amarelo das fogueiras simuladas e do algodão doce. É o encontro da memória afetiva dos mais velhos — que lembram dos primeiros arraiais nas décadas passadas, quando a área era menos urbanizada — com a curiosidade dos pequenos que experimentam pela primeira vez a goma de tapioca ou a dança do pau-de-fita.

A importância do Arraial do CSU transcende a celebração de Santo Antônio, São João e São Pedro. Ele funciona como um termômetro vibrante da produção cultural local. Grupos de dança folclórica, associações de moradores e manifestações populares encontram aqui um palco legítimo, longe das formalidades dos teatros. A informação de que o evento é um dos principais do calendário junino da cidade não é apenas marketing; é o reconhecimento de uma comunidade que se faz presente, que ocupa a rua e reivindica o lazer como direito.

A organização promete uma maratona cultural. O público pode circular entre as barracas de comidas típicas — onde o cheiro de canjica com leite de coco se mistura ao aroma de tucupi de alguma outra barraquinha ousada — e as arquibancadas lotadas. O desafio é aguentar o ritmo. Durante 30 dias, a energia precisa ser mantida para garantir que as milhares de pessoas esperadas a cada noite encontrem o que buscam: um pedaço de festa para esquecer o trânsito e o cansaço da rotina.

As manifestações valorizam o que é nosso. É possível ver influências do carimbó na batida do zabumba e referências à flora amazônica nas fantasias das quadrilhas juninas, que adaptam o sertão para a floresta. O boi-bumbá também ganha seu espaço, lembrando que a cultura amazonense não vive só de junho, mas pulsa o ano todo. O toque do clarim chama a atenção, o pífaro agudo corta a roda de conversa, e a multidão se vira.

A 44ª edição do Arraial do CSU acontece de 4 de junho a 5 de julho, no Complexo Social Urbano Professora Lucy Omena (CSU do Parque Dez), na Avenida Constantino Nery, Zona Centro-Sul. A entrada é franca. A festa começa assim que o primeiro acorde da sanfona ecoar, e vai até a meia-noite, convidando todos a um pouco de festa e de tradição.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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