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Thalles Roberto encerra Marcha para Jesus com show no centro de Rio Branco

Evento reuniu 20 mil pessoas no Acre; caminhada retomou trajeto histórico e show emocionou multidão no cartão-postal da capital.

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Karina Pinheiro
Acre · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 639 palavras
Multidão ergue as mãos durante show de Thalles Roberto em frente à Ponte Velha, no centro de Rio Branco.
Evento reuniu 20 mil pessoas no Acre; caminhada retomou trajeto histórico e show emocionou multidão · Foto: Redação Nortícia

O som do violão ecoou contra o casario antigo do centro de Rio Branco antes mesmo de Thalles Roberto subir ao palco. Eram quase 19 horas de um sábado que prometia ser quente, e o calor corporal de 20 mil pessoas — segundo a estimativa do governo — se misturava ao ar úmido do Acre, transformando a avenida em um corredor de vozes que não paravam de crescer. Diante do cartão-postal da cidade, a Ponte Velha servia de cenário imponente para o desfecho de uma procissão que é, antes de tudo, uma ocupação coletiva do espaço público pela fé.

A 30ª edição da Marcha para Jesus não foi apenas um evento religioso marcado no calendário; foi a retomada de uma memória afetiva das ruas. A organização decidiu voltar às raízes, resgatando o trajeto que marcou as primeiras décadas do evento no estado. A concentração começou cedo, por volta das 15h, sob um sol que costuma ditar o ritmo lento da cidade. Mas não havia lentidão naquele sábado. Era um mosaico de denominações diferentes — batistas, pentecostais, assembleianas, tradicionais — caminhando lado a lado sob o mesmo céu, com bandeiras coloridas que balançavam contra o cinza do asfalto recentemente lavado pela chuva da madrugada.

Quando Thalles Roberto subiu ao palco, a conexão com o público já estava estabelecida pelo clima de expectativa. O cantor, que acumula mais de 5 milhões de seguidores nas redes sociais e é um dos expoentes da música gospel no país, não tratava o Acre como uma escala distante em uma turnê qualquer. Ele traz na bagagem a memória de 2004, a primeira vez que pisou no solo acreano para cantar. Não é um artista que apenas "passa"; ele entende a cadência do público amazônico, que pede participação, que grita o refrão junto, que transforma o show em um diálogo. "O Acre é um estado distante, tenho o maior prazer de vir cantar aqui", disse ele ao microfone, mas a empatia já havia acontecido nos primeiros acordes, sem precisar de apresentações formais.

A escolha do repertório foi um choque de emoções calculado para aquele momento de suspensão do tempo. "Arde Outra Vez" e "Eu Escolho Deus" não são apenas músicas para o público que lotou a área; são hinos de repetição, onde a letra não importa tanto quanto o sentimento de pertencimento que o refrão provoca na coletividade. O show funcionou como o ápice de uma energia que vinha sendo construída desde a tarde, na caminhada. O palco, montado estrategicamente para ter a história da cidade ao fundo, virou um altar a céu aberto onde a arquitetura urbana cedia espaço para a experiência sonora.

Marchas como essa desenham a cidade de outra forma, criando uma geografia temporária. O trânsito é contornado, o comércio se ajusta ao barulho, e o som predominante muda do buzinao para o louvor. É uma festa popular com características próprias do Norte: sem a folia de carnaval, mas com uma intensidade que dispensa bebida alcoólica ou fantasias. A alegria se manifesta em braços levantados, em olhos fechados, em uma dimensão sensorial que foge ao entretenimento comum. A presença do governo do Acre na organização sinaliza o peso político-cultural do evento, que consegue mobilizar números que poucas manifestações artísticas alcançam na região, ocupando a capital com uma força silenciosa que se torna barulho ao anoitecer.

A noite terminou com o grito de "Eu Escolho Deus" ainda vibrando no ar, mesmo depois dos amplificadores desligados e dos primeiros fiéis se dispersarem em direção aos ônibus estacionados na avenida. Foi uma lembrança de como a fé se materializa em cultura no Norte, ocupando as ruas com um ritmo próprio que transcende os muros das igrejas. Para quem estava lá, o centro de Rio Branco respirou diferente nesse fim de maio, impregnado de um louvor que, ao que tudo indica, já promete voltar no próximo ano.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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