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Nova rota de carga liga Campinas a Porto Velho e reduz prazo de entrega em Rondônia

Operação da Azul Logística reduz tempo de transporte de até dez dias para três a quatro dias, integrando modais aéreo e rodoviário.

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Renato Lobo
Rondônia · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 572 palavras
Avião cargueiro da Azul em pista de pouso com caixas de transporte no pátio.
Operação da Azul Logística reduz tempo de transporte de até dez dias para três a quatro dias, integr · Foto: Redação Nortícia

A Azul Logística inaugurou nesta semana uma rota direta de transporte de cargas entre Campinas (SP) e Porto Velho (RO), reduzindo o prazo médio de entrega de mercadorias para Rondônia de uma faixa que superava os dez dias para apenas três a quatro dias. O novo corredor logístico, com frequência de três voos semanais, transportou cerca de 20 toneladas em seu voo inaugural, conforme divulgado pela companhia em nota.

Para dimensionar a importância dessa conexão, é preciso olhar para o chamado "Custo Amazônia": estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indicam que o frete na Região Norte pode ser até 30% mais caro do que no Sudeste, em grande parte pela precariedade das rodovias federais e pela dependência do modal hidroviário, que é mais lento. A ligação aérea direta com Campinas — um dos principais hubs logísticos do país, ligado ao Viracopos — ataca diretamente esse gargalo, inserindo Rondônia em uma dinâmica de logística just-in-time que já é realidade em São Paulo.

A operação é estratégica para o varejo local e para o e-commerce. Segundo a Azul, a prioridade será o transporte de medicamentos, peças de reposição, componentes eletrônicos e encomendas de comércio eletrônico. Produtos que antes precisavam viajar mil quilômetros por rodovias como a BR-364, sujeitas a interdições e trânsito de caminhões, agora chegam ao aeroporto de Porto Velho e, de lá, são distribuídos por caminhão para o centro da capital ou para o interior do estado. Para o empresário local, isso significa reduzir a necessidade de capital de giro parado em estoque de segurança, sabendo que a reposição é rápida.

"A redução do tempo de trânsito é vital para mercadorias de alto valor agregado e perecibilidade. O que muda para Rondônia é a previsibilidade da cadeia de suprimentos", analisa o economista Carlos Mendes, especialista em logística da Amazônia. Segundo ele, embora o frete aéreo tenha um custo por quilograma (C/Kg) superior ao rodoviário, o ganho na agilidade e na redução de avarias pode compensar a diferença no custo final de produtos sensíveis.

A nova rota funciona às segundas, quartas e sextas-feiras, saindo de Campinas, com retorno de Porto Velho às terças, quintas e sábados. A integração multimodal é um ponto-chave da estratégia da Azul. A partir de Porto Velho, a empresa utiliza parceiros locais para escoar a carga, inclusive aproveitando a posição geográfica de Rondônia como porta de entrada para o sul do Amazonas e norte do Mato Grosso. Embora o Boeing 737 utilizado na operação tenha capacidade limitada comparada a um navio fluvial, ele ataca o nicho de urgência que o modal aquaviário consegue atender de forma deficitária.

Há, contudo, uma ressalva de ordem econômica. A operação não deve impactar diretamente o preço de commodities de baixo valor agregado, como grãos ou madeira bruta, que continuarão dependendo das estradas e rios. O foco é a economia de serviços e o comércio atacadista e varejista. A medida também coloca pressão competitiva sobre transportadoras rodoviárias tradicionais na rota Centro-Sul/Norte, que podem ser forçadas a rever prazos para não perderem o mercado de cargas urgentes.

A expectativa do setor é que o aumento na frequência de voos de carga estimule o investimento em armazéns aeroportuários em Porto Velho, fortalecendo o Aerporto Internacional Governador Jorge Teixeira de Oliveira como um entroncamento logístico. Acompanharemos nos próximos relatórios de inflação regional se a redução no custo de estoque e no tempo de espera será repassada, mesmo que parcialmente, ao consumidor final rondoniense.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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