Variação de preços para o Dia dos Namorados em Palmas chega a 249%, aponta Procon
Levantamento do Procon-TO indica disparidade de até 249% no valor de presentes em Palmas; lojas de departamento e eletrônicos lideram as diferenças.
O consumidor palmense enfrenta uma disparidade de preços que foge à lógica da inflação oficial: a variação máxima de preços para presentes de Dia dos Namorados em Palmas atingiu 249%, segundo levantamento do Procon Tocantins. Em números práticos, um mesmo item — como uma sapatilha básica — pode custar R$ 39,99 em um estabelecimento e saltar para R$ 139,90 em outro, uma diferença de 250% que compromete o orçamento familiar num mês marcado pelo 13º salário parcelado para muitos.
Para colocar em escala, o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) acumulado no ano em Palmas gira em torno de 3%. Quando um produto específico apresenta uma variação pontual de 249% entre estabelecimentos da mesma cidade, não se trata de inflação, mas de assimetria de informação e margens de comercialização que precisam ser debugadas pelo comprador. O levantamento, coletado entre 29 de maio e 1º de junho, ouviu lojas físicas e mostra que o varejo de moda e departamentos é onde o consumidor paga mais caro pela falta de pesquisa.
Os dados revelam que produtos de lojas de departamento são os mais voláteis. Chinelos e camisetas lideram a lista de discrepância: um chinelo variou de R$ 22,99 a R$ 79,90. No segmento de eletrônicos, que tem peso relevante na cesta do consumidor de classe média, a disparidade é absoluta. Um mesmo modelo de smartphone oscilou R$ 1.000 entre o piso e o teto da pesquisa — de R$ 1.899,00 a R$ 2.899,90. Trata-se de uma variação que supera o próprio salário mínimo líquido de grande parte da população tocantinense.
Essa elasticidade de preços no varejo local é explicada em parte pela logística. Ao contrário dos centros do Sudeste, onde a densidade de lojas força uma competição por preço que comprime as margens, Palmas sofre com o custo do frete sobre mercadorias importadas ou vindas do Sul-Norte. O lojista que pratica o preço mais alto muitas vezes está repassando um custo logístico agregado maior ou targeting um público menos sensível ao preço, enquanto o concorrente mais agressivo opera com estoque adquirido antecipadamente ou margens apertadas de faturamento.
O setor de floricultura merece nota à parte. Buquês de rosas importadas — produto de alta perecibilidade e logística complexa — variaram R$ 120, indo de R$ 230 a R$ 350 por uma dúzia. Já o buquê de girassol, com produção mais nacionalizada, oscilou de R$ 99 a R$ 200. A especificidade do produto flutua de acordo com a oferta e a demanda da semana da data, o que torna a antecipação da compra uma estratégia econômica válida.
A recomendação técnica do órgão de defesa do consumidor é validar, pelo menos, três orçamentos antes do pagamento, especialmente em itens de alto valor agregado como eletrônicos e joias. A pesquisa completa está disponível no site do Procon Tocantins. A expectativa do mercado é que, a partir do dia 13 de junho, haja uma correção natural dos preços via liquidação de estoque, reduzindo as margens praticadas na véspera do evento.
Renato Lobo
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



