Família de Cruzeiro do Sul busca diagnóstico para bebê com crises em Rio Branco
Menino de 1 ano está internado no Into-AC após transferência do interior; família espera resultados de exames.
Dona Franciane da Silva não sai do lado do berço no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Acre (Into-AC), no bairro 2 de Julho, em Rio Branco. O filho dela, Neemias, tem apenas 1 ano e repousa ali, conectado a monitores. Há cerca de dez meses, desde que Neemias tinha dois meses de idade, a família convive com um medo recorrente: as crises convulsivas. Franciane conta que foram mais de 20 episódios até agora, cada um um susto a mais na rotina da casa em Cruzeiro do Sul, no Alto Acre, a 688 quilômetros da capital.
A busca por uma resposta médica trouxe mãe e filho para Rio Branco no mês passado, através do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), o sistema do SUS que custeia o deslocamento de pacientes do interior para centros de referência. A jornada não foi fácil. Antes de ocupar o leito atual no Into, Neemias deu entrada no Hospital da Criança. A situação se agravou e ele precisou ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A criança foi intubada, mas respira por conta própria agora. A alta da UTI aconteceu na última quarta-feira (3), e a transferência para o Into se seguiu no mesmo dia.
No corredor do hospital, a angústia da família tem nome e sobrenome: é a falta de diagnóstico. Exames de rotina foram feitos, mas a causa exata das convulsões ainda é uma incógnita para a equipe médica. "A gente só quer saber o que ele tem", diz Franciane, enquanto ajusta os lençóis do filho. A espera prolongada desgasta, especialmente quando a família está longe da rede de apoio de amigos e parentes que deixou no Juruá. O TDF garante o auxílio-alimentação e passagem, mas não abafa a solidão da cidade grande em momento de vulnerabilidade.
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) reconhece a complexidade do caso em nota oficial. A pasta informou que o bebê permanece estável e extubado, sob vigilância constante. O plano agora é correr contra o calendário para fechar o diagnóstico. A Sesacre confirmou que exames complementares foram solicitados, com destaque para uma ressonância magnética. É esse exame que deve dar o mapa do que acontece no cérebro de Neemias e apontar o tratamento correto.
No interior do Acre, casos neurológicos complexos precisam ser referenciados para a capital. Não há estrutura em Cruzeiro do Sul para esse nível de investigação. O Into-AC, especializado em ortopedia, tem recebido pacientes clínicos em função da ocupação de outros hospitais da rede estadual, uma situação que gestão e sindicatos discutem há meses. Enquanto Neemias ocupa uma dessas vagas, outros pacientes aguardam na fila.
A rotina de quem faz TFD é de espera. Espera-se o médico, o exame, o laudo e, no fim, a alta para voltar para casa. Franciane diz que o sono é curto e o tempo passa devagar. Ela torce para que a ressonância seja marcada logo e traga a notícia que a família tanto precisa: um nome para a doença e um remédio para controlá-la.
Enquanto o laudo não sai, Neemias continua sob os cuidados da equipe do Into. A família segue firme, cobrando do sistema público a resolução do caso. Para quem passa por situação semelhante, o canal oficial de denúncias e pedidos de informação sobre o TFD é a Ouvidoria Geral do SUS, através do telefone 127, ou diretamente nas unidades de saúde solicitando a abertura do processo de referência.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



