Caminhão tomba e destrói ponte de madeira em Pedra Branca do Amapari
Veículo transportava minério; DNIT suspeita de excesso de peso e equipes avaliam impacto ambiental no rio.
Moradores da comunidade Água Fria, em Pedra Branca do Amapari, ouviram o estrondo na manhã desta sexta-feira (19) e sabiam que algo havia mudado no ritmo do lugar. Um caminhão carregado de minério perdeu o controle, tombou de lado e levou abaixo uma parte da ponte de madeira. A carga pesada caiu com violência no leito do rio, levantando poeira e uma dúvida cruel sobre o futuro da passagem e da água.
O motorista, único ocupante da cabine, saiu ferido do espetáculo. Ele foi socorrido por quem estava por perto e levado às pressas para o hospital. A notícia, feliz, é que ele está em estado estável. O resto da história, porém, é um problema que agora divide as atenções entre a engenharia do trânsito e a saúde pública.
Para quem vive às margens, a ponte não é apenas infraestrutura; é a artéria. Com o tabuleiro destruído, o deslocamento fica difícil, exigindo desvios que demoram horas naquele ramal. Mas a preocupação imediata foi para onde o minério foi parar: dentro da água.
A Secretaria de Meio Ambiente do Amapá (Sema) enviou uma equipe técnica para o local o mais rápido possível. O objetivo era dimensionar o estrago na margem e no fundo do rio. Logo atrás, vieram os técnicos da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Eles não foram olhar para o assoalho quebrado da ponte, mas para a correnteza. Garrafas foram preenchidas com amostras da água. O medo é que o material transportado tenha contaminado o manancial que abastece aquelas famílias.
Do ponto de vista da estrada, a suspeita recai sobre a conta da balança, e não na velhice da madeira. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) levantou a bandeira vermelha: excesso de peso. A estrutura da ponte de Água Fria tinha um limite claro.
“O limite de carga é de 23 toneladas. Se respeitado, a estrutura suporta sem problemas. Preliminarmente, identificamos que o veículo causou o acidente”, disse Marcelo Linhares, superintendente do DNIT no Amapá. A declaração do técnico é um alívio para quem precisa cruzar aquela ponte todo dia, mas é uma sentença para quem colocou carga demais no caminhão.
Linhares lembrou ainda que o DNIT esteve no local recentemente. Em maio, menos de um mês atrás, a vistoria foi feita. O relatório, que fica na gaveta do órgão, dizia que a ponte tinha condições de tráfego e não apresentava defeitos estruturais. O peso é a variável que desequilibrou a equação.
Agora, o trabalho é de paciência e perícia. Enquanto o DNIT conclui o laudo técnico para confirmar o excesso de peso e definir a responsabilidade pelo reparo da ponte, a comunidade agencia a vida ao redor do buraco. O desvio é um transtorno, mas a água é o risco invisível. Os moradores de Água Fria foram orientados a ficarem atentos à cor e ao cheiro do rio até o laudo da SVS sair.
Quem precisar atravessar o trecho deve buscar informações alternativas sobre as estradas vicinais. Já a fiscalização ambiental continua de olho no rio para garantir que o minério não vire um veneno lento na água de Pedra Branca do Amapari.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



