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Tremores em Tucuruí: moradores sentem o chão balançar e especialistas explicam origem

Série de tremores na madrugada de 11 de junho causou danos a casas e mobilizou reunião de segurança em Tucuruí; especialistas descartam ligação com a usina.

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Ananda Rocha
Pará · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 590 palavras
Fachada de residência apresenta trinca na parede após tremores sentidos na madrugada em Tucuruí.
Série de tremores na madrugada de 11 de junho causou danos a casas e mobilizou reunião de segurança · Foto: Redação Nortícia

Dona Maria de Fátima Silva, 56 anos, estava na cama do quarto de fundos quando o chão começou a gritar. Era 3h55 da manhã de uma quinta-feira, 11 de junho, e a casa dela, no bairro da Unidade II em Tucuruí, balançou por três minutos seguidos. "Pensei que era um caminhão batendo no muro, mas o caminhão não dura tanto tempo", conta Maria, enquanto aponta a trinca fina que surgiu na parede da sala, perto do quadro da família.

Foram três abalos seguidos naquela madrugada. Às 3h55, depois às 3h58 e por fim às 4h17, conforme o relógio despertou metade da cidade. No centro e nos bairros periféricos de Tucuruí, no sudeste do Pará, a cena se repetiu: famílias na rua de pijama, cachorros latindo e o medo de que o teto viesse abaixo. O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) confirmou o que o corpo dos moradores já sentia: terremotos de baixa magnitude, mas o suficiente para abalar a estrutura das casas mais simples.

Seu Raimundo Nonato, comerciante do setor 3, calcula o prejuízo nas prateleiras. "As garrafas de vidro caíram, uma lixeira tombou do banheiro e minha neta de cinco anos acordou chorando, falando que o mundo ia acabar", relata. Ele conta que, nas horas seguintes, a conversa na porta do mercado e na fila do padaria era só uma: "Foi a usina?"

A dúvida não era tola. Tucuruí abriga a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, uma das maiores do mundo, e o medo de que o represamento das águas pudesse mexer com as falhas da terra é antigo na região. Para tirar essa dúvida da cabeça da população — e dar uma resposta técnica ao problema —, diversas instituições se reuniram nesta sexta-feira (19). O encontro marcou a instalação da Comissão de Monitoramento e Estudos sobre os tremores.

A explicação técnica veio de quem entende do solo. Lourenildo Leite, geofísico, mestre e doutor em Geofísica e integrante do Centro Nacional de Geologia, foi o responsável por traduzir o fenômeno para a sala cheia de moradores e autoridades. Segundo ele, o que Tucuruí sentiu foi a dinâmica natural da Terra. "Os tremores registrados na região estão relacionados à movimentação de falhas geológicas naturais existentes no subsolo", explicou Leite.

O ponto mais importante da fala do especialista foi o alívio sobre a segurança da barragem. De acordo com os estudos apresentados, não há evidências de relação entre o nível da água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e os recentes abalos sísmicos. Ou seja: o lago cheio não provocou o tremor. É a Terra se ajustando por conta própria, independentemente da obra humana ali do lado.

Agora, o trabalho é monitorar. A comissão instalada na sexta-feira vai ficar de olho nos sismógrafos e, principalmente, no efeito que esses abalos causam nas construções da cidade. A prefeitura e a Defesa Civil já saíram a campo para vistoriar as casas que relataram danos. Maria de Fátima e Seu Raimundo anotaram os nomes dos técnicos que passaram por suas ruas, exigindo que os laudos sejam rápidos.

Enquanto os geólogos cuidam das falhas profundas, os moradores cuidam das fissuras superficiais. A cidade segue em alerta, mas com a certeza de que o chão balança por causa da natureza, e não da usina. A comissão deve se reunir novamente em 30 dias com um novo balanço das atividades sísmicas da região.

Moradores de Tucuruí que notaram rachaduras ou danos após os tremores podem registrar o ocorrido na Defesa Civil Municipal pelo telefone 193 ou comparecer à sede no centro da cidade.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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