Chuva forte e transtornos marcam a manhã de segunda em Belém, mostram vídeos do JL1
Câmeras do telejornal capturaram alagamentos no Ver-o-Peso e trânsito lento em avenidas do centro devido ao temporal no início da manhã desta segunda.
Dona Francisca Cordeiro, 59 anos, já tinha arrumado a tainha e o jaraqui na bancaca da Rua São João, atrás do Ver-o-Peso, quando o céu escureceu de vez. Eram 7h15 desta segunda-feira e a chuva que prometia só garoa caiu como uma ducha. Em minutos, a água misturada com o lixo da feira subiu até os tornozelos e começou a carregar caixas de isopor para o meio da rua.
O temporal, que pegou de surpresa quem estava indo para o trabalho, foi o assunto principal na boca do povo e nas câmeras do JL1 desta manhã. O problema não foi só a quantidade de água, mas onde ela foi parar. As galerias pluviais da avenida Boulevard Castilhos França entupiram novamente com folhas e resto de descarte irregular, transformando o calçadão em um ribeirão.
Segundo a Defesa Civil de Belém, choveu cerca de 40 milímetros em menos de uma hora no centro da cidade. O volume foi suficiente para deixar a pista da Presidente Vargas lenta nos dois sentidos entre as 7h e as 9h. Ônibus das linhas 204 e 205, que ligam a Cremação ao Marco, avançavam a passo de tartaruga.
“Eu perco a hora da entrada no serviço e ainda perco cliente porque chega lá e o peixe já está molhado demais, tudo estragado”, reclamou Francisca, enquanto enxugava o balcão com um pano rodo desfiado. Ela diz que a limpeza da boca de lobo mais próxima, em frente à Feira do Açaí, não acontece há duas semanas.
A confusão se espalhou. Seu Raimundo Santos, motorista de táxi há 20 anos, estava parado no cruzamento da Gentil Bittencourt com a Governador José Malcher quando a água cobriu a faixa de pedestres. “O carro da frente parou, o de trás buzinou e veio a barreira. O pessoal saía correndo do ônibus com guarda-chuva, mas era inútil. Todo mundo se molhou”, contou.
A Compel (Companhia de Limpeza Urbana de Belém) informou, através da assessoria, que equipes de pronto atendimento foram acionadas assim que o temporal começou. A nota diz que “três caminhões-tanco fizeram o desentupimento preventivo na última sexta, mas o volume de folhas derrubadas pelo vento superou a capacidade de drenagem”. A empresa prometeu uma vistoria técnica no local até o final da tarde.
Não é de hoje que o centro sofre com as águas de inverno. Moradores antigos lembram que a drenagem daquela região, projetada nos anos 70, não aguenta mais o volume do tráfego e a impermeabilização do solo com novos prédios. É um ciclo que se repete toda vez que a frente fria desce sobre o Pará.
Quem precisar de ajuda com alagamentos ou árvores caídas na capital pode ligar para a Defesa Civil pelo número 199. O telefone funciona 24 horas. Já para denunciar buracos ou bocas de lobo entupidas, o caminho é o aplicativo Belém 156 ou a Ouvidoria Municipal pelo 156.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


