Médicos retiram sedação de juiz ferido em queda de ponte em Sena Madureira
Juiz Edinaldo Muniz segue internado em UTI em Rio Branco após desabamento na noite de sexta-feira; médicos avaliam nível de consciência nesta segunda.
Edinaldo Muniz, 54 anos, ouve apenas o som rítmico dos ventiladores na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco. Nesta segunda-feira (8), a equipe médica começou a diminuir a dose de sedativos que o mantêm em coma induzido. O objetivo é simples e urgente: verificar se o cérebro do juiz aposentado responde aos comandos após o trauma de sexta-feira (5). Ele segue com suporte respiratório, mas a lua de mel com o repouso profundo está chegando ao fim.
A história começa 150 quilômetros dali, em Sena Madureira, às margens do Rio Iaco. A Ponte Frei Paolino Baldassari, antiga ligação da cidade à zona rural, não era mais segura. Desde quinta-feira (4), uma fita amarela e uma placa avisavam: "Perigo: Interditado". Mas a noite de sexta-feira estava quente, e o impulso de registrar o momento venceu o aviso de engenharia.
Edinaldo ligou o celular e começou a live. A câmera balançava um pouco, focando no asfalto rachado e na água escura lá embaixo. Ele não estava sozinho. O irmão e mais duas pessoas estavam na estrutura. Passaram da barreira. A poucos metros do ponto seguro, o concreto cedeu. A ponte desabou. A transmissão caiu junto com a estrutura, deixando milhares de espectadores online no escuro, sem resposta.
O resgate foi urgente. Feridos, Edinaldo e o irmão foram removidos dos escombros e encaminhados para a capital. A BR-364, que liga o interior a Rio Branco, viu as ambulâncias passarem em alta velocidade. No Pronto-Socorro, a equipe de trauma da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) assumiu o caso. A gravidade exigiu internação imediata na terapia intensiva.
O boletim médico, seco em detalhes técnicos, esconde a angústia da família. "Suspendeu a sedação para avaliar a progressão do nível de consciência", informa a secretaria. Na prática, é o momento da verdade. É hora de saber se os danos foram apenas físicos ou se há sequelas neurológicas. O monitoramento agora é contínuo. Um enfermeiro fica de olho nos números da tela; outro, na pupila do paciente.
Em Sena Madureira, o buraco na paisagem é o assunto principal. A ponte não era apenas uma passagem; era o caminho de produtores, estudantes e quem precisava cruzar o Iaco. Agora, o desvio exige horas a mais. Mas a conversa volta e volta para a imagem do juiz, famoso na região, caindo ao vivo. O vídeo circula em grupos de WhatsApp, misturando indignação com prece.
A equipe multiprofissional não dá prazos. A recuperação de um politraumatismo como esse é medida em dias, não horas. Enquanto Edinaldo tenta abrir os olhos em Rio Branco, a polícia técnica segue o trabalho em Sena Madureira para entender exatamente como uma estrutura interditada caiu com tanta gente em cima. O número do plantão do Pronto-Socorro fica registrado na agenda dos parentes. É lá que a próxima notícia boa — ou ruim — vai chegar.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


