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Nortícia CidadesChuvas em Roraima

Chuvas causam estragos e isolam municípios em Alto Alegre e São Luiz do Anauá

Prefeituras decretam emergência Nível II após rios transbordarem e estradas ficarem interditadas; acesso à saúde e educação é comprometido.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
01 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 648 palavras
Estrada vicinal alagada com lama nas margens e carro parado em São Luiz do Anauá.
Prefeituras decretam emergência Nível II após rios transbordarem e estradas ficarem interditadas; ac · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 54 anos, acorda com o barulho da água batendo na porta da sala. Não é chuva caindo no telhado. É o igarapé Surumu invadindo a Rua Projetada, no bairro São Francisco, em Alto Alegre, Norte de Roraima. "A gente via a água subindo no quintal, mas não achava que ia entrar assim tão rápido. Perdi o galinheiro todo, as galinhas voaram com a correnteza", conta Raimundo, ainda com as botas de borracha cheias de lama enquanto tenta salvar o fogão a lenha da cozinha.

A força da chuva que caiu no final de semana foi maior que a capacidade de drenagem da cidade. O nível do rio subiu de madrugada e transbordou, cortando a BR-174 em três pontos estratégicos. Quem precisava sair de Alto Alegre rumo à capital Boa Vista ficou parado no asfalto por quase quatro horas na manhã desta segunda-feira (1). O trânsito engarrafou até a entrada da cidade, e caminhoneiros reclamavam da falta de sinalização para desvio.

A gravidade dos danos fez a prefeitura decretar situação de emergência. O documento foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) na manhã de segunda-feira. Classificada como Emergência de Nível II, a medida é para desastres de média intensidade: o município consegue responder, mas precisa de reforço. A mesma história se repete a mais de 500 quilômetros dali, em São Luiz do Anauá, no sul do estado, que também assinou o decreto oficial no mesmo dia.

Em São Luiz do Anauá, o problema não é apenas a água nas casas, é a impossibilidade de chegar onde precisa. A professora Maria de Lurdes, 38, tentou chegar à Escola Estadual Onésima Rodrigues às 7h, mas encontrou a ponte da Vila Nova interditada. "O buraco ficou do tamanho de um carro. A gente teve que virar de costas e mandar os alunos de volta para casa. A prefeitura avisou só depois, mas a gente já estava lá na lama", diz Maria, que leciona há 12 anos na zona rural e perdeu todo o material didático que transportava na moto.

Os decretos assinados pelos dois prefeitos justificam a emergência pelo "volume de chuva acima da média e precipitações intensas em curtos períodos". Em Alto Alegre, a infraestrutura urbana quebrou: galerias entupiram e ruas tornaram-se rios. O acesso à unidade básica de saúde do Centro ficou restrito a carros de grande porte, deixando idosos dependentes de acompanhantes para atravessar os alagamentos a pé, correndo o risco de leptospirose.

A Defesa Civil de Roraima monitora sete municípios agora. O secretário estadual informou, por nota, que equipes estão em campo para fazer o levantamento de danos e pedir recursos federais. "O objetivo é garantir que o município tenha fundos para reparar pontes e estradas vicinais o mais rápido possível", afirma o texto oficial. Sem o dinheiro extra, as obras de manutenção que já estavam atrasadas ficam paradas até o próximo exercício fiscal, aumentando o risco de novos acidentes.

Este é o período mais crítico do inverno amazônico em Roraima, mas moradores antigos dizem que a intensidade deste ano fugiu do normal. Em São Luiz, o transbordamento do igarapé Anauá invadiu a praça central da cidade. O comércio local funcionou pela metade ontem. O dono do Mercado do Povo, João da Silva, teve que contratar um trator particular para retirar o lamaçal da calçada. "Se não limpar na hora, o cliente não vem. É o prejuízo de cima do prejuízo, e a gente não viu nem uma viatura da prefeitura aqui ainda", reclama.

Para quem precisa de ajuda imediata ou quer denunciar pontos de alagamento, o contato é a Defesa Civil municipal pelo número 199. Em Alto Alegre, a prefeitura montou um posto de triagem no Ginásio de Esportes Paulo Chagas Filho para abrigar famílias que perderam o telhado. A lista de materiais de limpeza e alimentos não perecíveis já está sendo organizada pela secretaria de Assistência Social, que pede doações de colchões.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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