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Nortícia CidadesMobilidade na RR-171

Uiramutã volta a ter acesso por rota provisória após chuva destruir ponte em RR

Governo de Roraima constrói 'ponte molhada' ao lado da estrutura que caiu no igarapé Cambaru, mas alerta que risco de isolamento continua.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 527 palavras
Veículos passam por rota de terra ao lado da estrutura destruída da ponte sobre o igarapé Cambaru.
Governo de Roraima constrói 'ponte molhada' ao lado da estrutura que caiu no igarapé Cambaru, mas al · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 52 anos, motorista da linha que liga Uiramutã a Boa Vista, estaciona a van na beira do igarapé Cambaru, no quilômetro 200 da RR-171. Sábado à noite, o barulho da água engoliu o concreto. No domingo, o que se vê é um atalho de terra vermelha, um desvio estreito onde só passa um carro de cada vez. É a "ponte molhada", a única saída que o município mais indígena do Brasil tem agora.

A estrutura original, a principal via de acesso à sede de Uiramutã, cedeu à força da enxurrada. A cidade voltou a ter contato com o restante de Roraima em menos de 24 horas, mas a tranquilidade é falsa. A estrada é a vida de quem mora no extremo Norte do estado. É por ali que passam os caminhões de abastecimento, os ônibus de estudantes indígenas que vão para o internato em Boa Vista e as ambulâncias que buscam atendimento de alta complexidade.

Julimar Sena, chefe da Defesa Civil municipal, explica a precariedade do cenário. A equipe dele trabalhou a noite toda abrindo o desvio lateral enquanto o rio subia. Ele é direto: a solução é temporária e frágil. "Se chover muito e encher a ponte molhada também é interditada", avisa Sena. O nível do igarapé ainda está alto, o solo está encharcado e qualquer chuva forte pode fechar o caminho novamente.

Dona Francisca Pereira, 41, comerciante no centro da cidade, acompanhou a passagem dos primeiros veículos pela rota provisória. Ela conta que o estoque de gás e alguns remédios estavam acabando, e o clima era de tensão. "Chegou a correr o boato de que íamos ficar 15 dias isolados. A gente correu para o mercado, mas não chegou a faltar", diz. O medo agora é que uma nova tempestade feche o atalho de terra e corte o abastecimento das aldeias.

O governo do estado, através da Secretaria de Infraestrutura, sob comando de Gregório Almeida Júnior, reforçou a operação com tratores para compactar o solo. A técnica da "ponte molhada" é comum na região: um nivelamento do solo abaixo da cota da via normal, permitindo que a água escoe por cima sem destruir o leito. Mas exige cuidado na direção. A recomendação para quem atravessa é reduzir a velocidade e não parar no meio da travessia para evitar atoleiros.

O isolamento da ponte Cambaru é um problema recorrente nos verões chuvosos de Roraima, mas a magnitude desta vez preocupou. Uiramutã é um dos sete municípios em situação de emergência, com cerca de 16 mil pessoas afetadas. Enquanto a chuva dá trégua, o fluxo segue lento, mas segue. Moradores relatam filas de até uma hora para cruzar o trecho de 50 metros de terra improvisada.

O próximo passo é a reconstrução definitiva da ponte, o que depende da baixa das águas e de uma vistoria detalhada dos danos na estrutura que caiu. Enquanto isso, o monitoramento é constante. A Defesa Civil estadual mantém equipe no local para sinalizar riscos e orientar os motoristas.

Motoristas que precisam de informações sobre o estado das rodovias em Roraima podem entrar em contato com a Defesa Civil estadual pelo telefone (95) 2121-3900 ou pelo WhatsApp do órgão.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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