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Nortícia EconomiaVarejo na Copa

Comércio de Rio Branco aquece com venda de artigos da Copa do Mundo

Lojistas relatam aumento na procura por camisas e bandeiras, mas impacto econômico é pontual e depende da permanência da Seleção na competição.

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Renato Lobo
Acre · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 552 palavras
Vitrine de loja em Rio Branco exibe bandeiras e camisas da Seleção Brasileira.
Lojistas relatam aumento na procura por camisas e bandeiras, mas impacto econômico é pontual e depen · Foto: Redação Nortícia

O varejo de bens de consumo não duráveis de Rio Branco enfrenta uma demanda atípica nesta semana: a procura por produtos oficiais e comemorativos da Copa do Mundo cresceu expressivamente desde o sábado, segundo relatos de gerentes comerciais na capital. O movimento, embora ainda sem números consolidados das entidades de classe, injeta liquidez adicional no caixa de pequenos e médios lojistas no período de maior atenção midiática do ano.

Para dimensionar o fenômeno, é preciso olhar para o comportamento do consumidor acreano em eventos de massa. Diferente do 13º salário — que representa uma entrada estrutural de renda e impacta o PIB estadual no quarto trimestre —, o gasto com a Copa é uma realocação de orçamento familiar. O dinheiro que sairia para vestuário básico ou lazer mensal é canalizado para adereços, bandeiras e camisas da seleção. Trata-se de um aquecimento pontual no faturamento do setor de confecções e variedades, não necessariamente um aumento da renda disponível.

“O torcedor está bem animado, a procura é grande por adereço, enfeite, bandeira, tinta para cabelo. Todo tipo de enfeites, arranjos, decoração, os clientes estão procurando”, relatou Nogueira Assem, gerente comercial, em declaração ao g1 AC. A fala ilustra o efeito psicológico do evento sobre o consumo, um clássico exemplo de demanda derivada de entretenimento.

Do ponto de vista macroeconômico regional, o Acre possui um PIB per capita inferior à média nacional, o que torna o consumidor local mais sensível ao preço. A maioria dos artigos comercializados — muitas vezes importados de polo manufatureiro do Sudeste ou produzidos no Polo Industrial de Manaus (PIM) via incentivos fiscais — precisa competir com o poder de compra restrito da população de Rio Branco e do interior. No entanto, a euforia momentânea parece vencer a barreira do preço na primeira fase do torneio.

O comércio da capital acreana também exerce papel de polo atrator para os municípios vizinhos. Segundo o comerciante Samuel Alves, consumidores de outras cidades do interior buscam os produtos em Rio Branco. Esse fluxo intermunicipal gera um multiplicador econômico urbano: além da venda do produto, há gasto em combustível, alimentação e estacionamento, aquecendo o setor de serviços da capital.

É importante notar, contudo, a volatilidade desse segmento. O que se observa é uma curva de demanda aguda e curta. Se a Seleção Brasileira avançar nas fases eliminatórias, o pico de vendas se sustenta ou até cresce. Uma eliminação precoce, porém, causaria uma interrupção brusca no fluxo de caixa desses estabelecimentos, que muitas vezes estocam mercadorias específicas para o período. O risco de estoque parado é alto para o varejista que não gerenciar a inércia da torcida.

Enquanto a Fecomércio do Acre não divulga os índices formais do setor para junho, o termômetro qualitativo nas ruas indica um repique de vendas. O desafio econômico para o empresariado local é transformar esse tráfego de torcedores em fidelidade de cliente, aproveitando o fluxo nas lojas para apresentar o mix de produtos regulares além das cores verde e amarelo.

A próxima aferição desse calor comercial no varejo acreano acontecerá no próximo fim de semana. Se a Seleção vencer o jogo desta sexta-feira contra o Haiti, a expectativa é de uma nova onda de compras para o confronto subsequente. O consumo de artigos de torcida funciona, assim, como um barômetro do otimismo — ou do desespero — da economia local.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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