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Nortícia CidadesRisco no Aurá

Criança cai em bueiro sem tampa ao empinar pipa em Ananindeua

Menino ficou ferido em bueiro descoberto no Conjunto Jader Barbalho; moradores cobram ação da prefeitura para evitar novos casos na região.

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Ananda Rocha
Pará · AM
27 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 642 palavras
Vista de bueiro aberto em via asfaltada com pedaço de madeira ao lado.
Menino ficou ferido em bueiro descoberto no Conjunto Jader Barbalho; moradores cobram ação da prefei · Foto: Redação Nortícia

Dona Rita de Cássia, 34 anos, ouviu o baque seco e o choro logo em seguida. A tarde de segunda-feira, 24 de maio, estava tranquila no Conjunto Jader Barbalho, bairro do Aurá, em Ananindeua, até o susto na esquina da casa dela. Um menino de oito anos, distraído empinando pipa, tinha acabado de cair em um bueiro sem tampa.

O buraco tinha mais de um metro e meio de profundidade. A única proteção ali era um pedaço de madeira velha, que cedeu com o peso da criança. As câmeras de segurança de uma residência próxima registraram a cena: o menino olha para cima, dá um passo para trás e desaparece da vista, engolido pelo buraco na via pública.

"Foi Deus que guardou. Podia ter sido uma pessoa idosa que não vê direito, ou ele ter batido a cabeça de jeito mais sério", comenta Rita, enquanto aponta para o local que, na manhã desta terça-feira, já estava tampado com uma placa de concreto improvisada. O menino teve ferimentos leves na cabeça e nas costas, recebeu atendimento médico e já está em casa, mas a preocupação tomou conta da vizinhança.

Nesta época do ano, o céu do Pará fica cheio de coloridos. O período da estiagem, entre abril e maio, é a alta temporada da "pipa" no interior e na periferia de Belém. As crianças e adolescentes ocupam as ruas e praças do Conjunto Jader Barbalho, um dos grandes núcleos habitacionais de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. A área é movimentada, cheia de gente olhando para cima, exatamente onde o perigo estava.

O problema é que a infraestrutura da rua não acompanhou a brincadeira. Moradores relatam que aquele bueiro específico já estava sinalizado de forma precária há semanas. Outras tampas de ferro, segundo eles, sumiram da região, provavelmente roubadas para sucata. A sinalização com madeira ou galhos é comum. É um "aviso" que se vê por todo o Aurá, mas que não garante segurança. Quando o assunto é drenagem pluvial ou galerias de esgoto, a falha na tampa é um risco real de vida. A madeira que o menino pisou não estava fixada, era apenas um "tapa-buraco" à espera da chuva ou da fiscalização.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Ananindeua. A gestão informou, por meio da assessoria, que uma equipe de manutenção foi acionada logo após o acidente para realizar o reparo. A nota diz que a prefeitura "realiza vistorias constantes" e reforçou que a proteção desses equipamentos é dever do município, mas pede colaboração para preservar o patrimônio público.

Mas quem mora por ali diz que o aviso já tinha sido dado. "A gente liga para o 156, coloca no aplicativo, mas a demora é grande. Aí a criança cai e a prefeitura vem correndo. Ficou o susto na família dele", reclama o vizinho Sebastião Alves, 56 anos, dono de um pequeno comércio de frente para o bueiro. Segundo ele, não é a primeira vez que uma tampa some na quadra. A lenha improvisada é a única "segurança" que conhecem até que a obra apareça.

O caso expõe a falta de uma manutenção preventiva mais ágil. Enquanto não há vistoria programada para trocar tampas enferrujadas ou verificar se o equipamento original não foi furtado, a solução resta no improviso dos moradores. E o improviso falhou com o menino da pipa. A sorte dele foi que o buraco tinha água no fundo, o que amenizou a queda, e que o socorro veio rápido.

Para evitar novos acidentes, o caminho é denunciar assim que a tampa sumir. O Canal de Ouvidoria da Prefeitura de Ananindeua funciona pelo telefone 156 ou pelo aplicativo móvel "Fala Cidadão". É importante anotar o número do protocolo. O bueiro na rua do Conjunto Jader Barbalho já está tampado, mas a vigilância precisa ser diária para que a próxima brincadeira de criança não termine em hospital.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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