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Criança indígena é picada por cobra e resgatada por helicóptero em Uiramutã

Menino de 11 anos do povo Ingarikó precisou de soro antiofídico; ponte sobre o rio Cambaru caiu e dificultou acesso.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
31 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 448 palavras
Helicóptero do governo pousa em área alagada durante resgate em Uiramutã.
Menino de 11 anos do povo Ingarikó precisou de soro antiofídico; ponte sobre o rio Cambaru caiu e di · Foto: Redação Nortícia

O menino indígena Ingarikó, de apenas 11 anos, brincava próximo à casa na comunidade Manalai quando a cobra atacou. Era sexta-feira (29), e o veneno começou a correr rápido pelo corpo da criança. Não dava para esperar o barco ou tentar a trilha de terra batida: Uiramutã estava, naquele momento, debaixo d'água.

A chuva castigou a região na semana passada com uma intensidade raramente vista. A força da correnteza do rio Cambaru foi tanta que levou a ponte que liga a cidade ao restante do estado. Com a estrada cortada, Uiramutã, o município mais indígena do Brasil, virou uma ilha. Para sair ou entrar, só mesmo de asa. Mas o problema não acabava aí: a pista de pouso da comunidade Manalai também estava alagada. O cenário desfavorável impossibilitava o pouso das aeronaves menores contratadas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Leste, que fazem o transporte de rotina daquela região.

A solução foi apelar para o helicóptero do governo do estado. O menino precisava do soro antiofídico com urgência, e o atendimento inicial feito na aldeia pelos agentes de saúde indígena não ia segurar o efeito do veneno por muito tempo. O resgate aéreo com a aeronave maior, capaz de pousar em terrenos irregulares, foi a única saída para garantir a vida da criança e transferi-la a um hospital de maior complexidade.

"Foi um acidente ofídico. A criança foi picada por cobra e precisava receber o soro antiofídico. Não tinha como realizar esse atendimento na comunidade, então era necessário fazer a remoção. As primeiras medidas já haviam sido tomadas, a equipe da aldeia fez o correto", explicou Yara Lima, coordenadora da Casa de Saúde Indígena (Casai) Leste.

Uiramutã decretou situação de emergência. Não é apenas o menino Ingarikó que correu risco. São quase 30 mil habitantes, a grande maioria indígena, vivendo o isolamento forçado. O comércio local já sente a falta de combustível e gêneros alimentícios que vinham de Boa Vista pela estrada agora interrompida. A reconstrução da ponte sobre o Cambaru depende da baixa das águas, o que pode demorar dias.

A comunidade Manalai fica na região do Raposa Serra do Sol e é uma das que sofrem mais com a logística. O acesso, em dias normais, já é restrito e difícil, exigindo planejamento. Nesse cenário de cheia histórica, o acesso aéreo é a única tábua de salvação para os casos graves. O resgate do menino expõe a fragilidade do atendimento de saúde em tempos de clima extremo no norte de Roraima.

Famílias que precisarem de assistência médica nas aldeias em situação de emergência devem procurar a Casai Leste na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, em Boa Vista, ou ligar para o Samu 192 em casos de risco imediato.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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