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Curta amapaense 'Amazônia Xamã' é selecionado para festival em Nova York

Obra de ficção científica de Rodrigo Pedroza concorre ao NY Indie Shorts Awards com temática distópica sobre preservação florestal.

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Karina Pinheiro
Amapá · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 499 palavras
Cena do curta 'Amazônia Xamã' mostra floresta densa com iluminação artificial e sombras projetadas.
Obra de ficção científica de Rodrigo Pedroza concorre ao NY Indie Shorts Awards com temática distópi · Foto: Redação Nortícia

O som da floresta em 'Amazônia Xamã' não é o canto de um uirapuru, mas o estridor metálico de um drone rondando a copa das árvores. No curta-metragem de Rodrigo Pedroza, o verde que conhecemos amanhece cinzento, tomado por robôs garimpeiros que mineram o solo até não sobrar nada. A ficção científica, aqui, é apenas o espelho inclinado de um futuro que assusta o Amapá real. E é essa história local, nascida no calor do Equador, que agora desembarca em agosto na tela do New York Indie Shorts Awards, nos Estados Unidos.

A obra, lançada em dezembro de 2025 em Macapá, mistura o concreto com o onírico para contar a saga de Raoni. Ele não é apenas um nome emprestado de uma liderança real; no filme, é o último sobrevivente de sua etnia, vagando por uma terra onde a mata foi substituída por entulhos de máquinas. Pedroza, o cineasta por trás da câmera, constrói esse universo não com efeitos de Hollywood, mas com a poética do que se perde. A umidade do ar de Macapá, o cheiro da chuva que cai de repente e a textura da terra batida serviram de cenário natural para essa distopia que fala de memória e resistência.

Para o diretor, levar o filme para Nova York é menos sobre estrelas e tapetes vermelhos e mais sobre amplificar a voz de um estado que raramente aparece no mapa do audiovisual mundial. 'Estar em um festival dessa dimensão é uma conquista importante para o cinema do Amapá. O filme nasce da nossa realidade, mas fala de ancestralidade e futuro', afirma Pedroza, lembrando que o olhar estrangeiro, muitas vezes, só enxerga a floresta como um cartão-postal vazio.

A trama, embora futurista, dialoga com o presente de forma visceral. Os robôs que rasgam o solo não são uma fantasia distante para quem acompanha o avanço do garimpo ilegal nas terras indígenas do Norte. A crítica social amarga, mas é servida com uma estética visual que prende a respiração, contrastando a beleza exuberante que falta com a frieza da tecnologia predadora. É um cinema que não se conforma em ser apenas documento; ele quer ser, acima de tudo, um alerta sonoro.

O New York Indie Shorts Awards é um porto aberto para obras independentes, e ver a bandeira do Amapá lá, ao lado de produções da Europa e Ásia, muda a conversa na mesa de bar da Produção. Prova que o nosso audiovisual tem pulmão para atravessar oceanos e que as histórias nascidas às margens do Amazonas têm ressonância universal. Não é preciso exotizar o Norte para torná-lo interessante; basta mostrar o que somos, mesmo que o reflexo seja assustador.

A exibição está marcada para o dia 2 de agosto. Enquanto o curta não volta para temporada nas salas de Macapá, o olhar se volta para a data, na expectativa do que o público nova-iorquino dirá sobre esse future amazônico ficcional. A indicação já garantiu uma coisa: a resistência de Raoni vai ecoar muito além das fronteiras do Amapá.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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