Ex-prefeito Dr. Furlan é alvo da PF em operação de milícia digital
Antônio Furlan, que renunciou ao comando de Macapá, é citado em investigação sobre desvio de verbas para ataques online e gestão de imagem.
A trajetória política de Antônio Paulo de Oliveira Furlan, o Dr. Furlan, em Macapá, é marcada por vitórias expressivas e um desfecho conturbado. Ex-prefeito da capital do Amapá, Furlan voltou a ser citado em investigações da Polícia Federal. O alvo agora é a Operação Palanque Digital, que aponta um esquema de milícia digital financiado com verbas da Prefeitura.
A operação, deflagrada nesta terça-feira (26), levantou suspeitas graves sobre o uso de dinheiro público para bancar ataques online e gestão de imagem política. Furlan, que governou a cidade entre 2021 e março de 2026, renunciou ao cargo após sentir o cerco das operações policiais. Agora, a justiça investiga o seu envolvimento direto nesses crimes.
Ascensão e votos recordes
A carreira de Furlan não começou no Executivo. Médico de formação, ele tentou a vida política em 2010, concorrendo a deputado estadual pelo PTB. Embora tenha ficado como suplente, a chance de assumir o cargo veio em 2013, após a morte de um parlamentar. Foi o pontapé inicial para uma ascensão meteórica no Amapá.
Ele se reelegeu deputado estadual em 2014 e 2018, consolidando sua base. Em 2020, o salto para a Prefeitura de Macapá. Filiado ao Cidadania, Furlan derrotou Josiel Alcolumbre no segundo turno, um feito que abalou as estruturas políticas locais. A popularidade parecia inesgotável.
Em 2024, já filiado ao MDB, ele bateu recordes. Furlan foi reeleito prefeito com 204.291 votos, equivalente a 85,08% dos votos válidos. Foi o maior percentual de votos conquistado por um candidato a prefeito de capital brasileira naquele pleito. Parecia o auge de uma carreira sólida.
Queda brusca e Operação Palanque
No entanto, os mandatos de sucesso deram lugar a investigações complexas. A Operação Palanque Digital traz à tona denúncias de que a máquina pública foi usada para fins escuros. A "milícia digital" funcionaria como um braço de ataque e defesa político-partidária, utilizando recursos que deveriam ir para saúde, educação e infraestrutura.
A PF investiga não apenas a existência do grupo, mas o desvio milionário de verbas para sustentá-lo. Furlan, que é do PSD no momento em que é apontado como alvo, vê seu legado ameaçado pelas acusações. A renúncia, ocorrida em março de 2026, foi uma tentativa de conter o dano político, mas não freou as investigações criminais.
O caso chama atenção pela contradição: um prefeito que recebeu uma maioria absoluta dos votos menos de dois anos antes se vê envolvido em esquemas que traem a confiança do eleitor. A situação de Macapá exige atenção, pois a gestão pública fica sob análise rigorosa enquanto a justiça apura os crimes.
O povo de Macapá e do Amapá aguarda os desdobramentos. A promessa de transparência das urnas esbarra agora na opacidade dos inquéritos da Polícia Federal.
Com base em g1-ap.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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