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Economia criativa na Amazônia tem retorno de 7x e supera desmatamento

Dados mostram que cada real investido em sociobiodiversidade gera R$ 7, um modelo econômico viável frente às altas emissões do Pará.

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Renato Lobo
Pará · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 508 palavras
Biojoias produzidas com sementes e materiais da floresta expostas em estande de feira.
Dados mostram que cada real investido em sociobiodiversidade gera R$ 7, um modelo econômico viável f · Foto: Redação Nortícia

O setor de economia criativa na Amazônia Legal oferece um retorno médio de quase R$ 7 para cada real investido — um múltiplo de eficiência econômica que contrasta fortemente com a rentabilidade marginal das atividades predatórias. O dado, que ilumina o potencial da bioeconomia, surge como um contra-ponto essencial num cenário em que o Pará acumula 278 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em emissões brutas, conforme o boletim mais recente do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) referente a 2024.

Para dimensionar a escala: enquanto o modelo extrativista baseado no desmatamento gera valor imediato mas deprecia o ativo florestal, a cadeia de sociobiodiversidade opera na lógica da valorização do capital natural. Empreendedores como Kátia Fagundes, da marca Da Tribu, ilustram essa transição ao transformar biomateriais em biojoias de alto valor agregado. O produto final encara o mercado nacional e externo sem a barreira das commodities, onde o preço é ditado pela bolsa de Chicago, mas sim pela singularidade do design.

Enquanto o Sudeste concentra o PIB industrial nacional, a Amazônia busca seu caminho via serviços e bens simbólicos. A disparidade de emissões do Pará — maior do que estados com economia industrializada — evidencia a falha do modelo de crescimento baseado em derrubada de floresta. O custo ambiental, internalizado futuramente em forma de taxas de carbono, tende a inviabilizar economicamente o desmatamento, tornando a economia criativa não apenas uma opção ética, mas a única viável financeiramente no longo prazo.

"A conversão de conhecimento ancestral em ativo financeiro é o diferencial competitivo que o Norte possui, mas que ainda não é capturado corretamente nas contas regionais", analisa a dinâmica setorial. O lucro aqui não vem da escala de volume, como na soja ou no gado, mas da diferenciação — um nicho de margem mais alta. O impacto é direto na renda local: ao contrário da indústria extrativa de grande porte, que concentra renda, a economia criativa pulveriza o ganho por comunidades ribeirinhas e aldeias.

No entanto, há um alerta metodológico necessário: o multiplicador de 7 vezes calcula a eficiência de ponta, mas ainda é ínfimo em participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual se comparado ao agronegócio. O jogo de soma zero tradicional — onde o lucro do madeireiro é a perda da floresta — dá lugar a um modelo potencialmente positivo, mas dependente de logística. Levar biojoias do interior do Pará para prateleiras em São Paulo ou Paris custa caro e exige eficiência que a malha rodoviária amazônica não oferece hoje.

Dados do MapBiomas indicam que o Pará segue sob forte pressão fundiária, o que mostra que a "floresta em pé" ainda não é, matematicamente, a opção mais atraente para o proprietário de terra médio que não tem acesso ao mercado de design. O desafio macroeconômico é escalar a infraestrutura de certificação para que esse modelo saia do nicho artesanal e entre na cadeia de suprimentos global. A próxima medição de impacto do setor deve vir com os relatórios de faturamento das micro e pequenas empresas da região em 2027.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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