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Estudantes do ensino médio lançam primeira revista científica do Pará

Publicação reúne artigos de 40 jovens sobre sustentabilidade e problemas urbanos, incluindo uso de caroço de açaí em Belém.

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Ananda Rocha
Pará · AM
28 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 523 palavras
Capa da Revista Pulsar exibida sobre mesa com materiais de pesquisa em Belém.
Publicação reúne artigos de 40 jovens sobre sustentabilidade e problemas urbanos, incluindo uso de c · Foto: Redação Nortícia

Isabella Costa, 17 anos, contorna a poça formada pelo acúmulo de caroços de açaí na esquina da Avenida Gentil Bittencourt com a Travessa Padre Eutíquio, no bairro de Nazaré, em Belém. O cheiro do fruto fermentando mistura-se ao calor úmido da manhã, mas ali, no meio do transtorno urbano, nasceu uma ideia científica. A estudante é uma das autoras da Revista Pulsar, a primeira publicação científica do país produzida inteiramente por alunos do ensino médio, lançada nesta quarta-feira (27) na capital paraense.

Não é um jornalzinho de escola. A revista tem Registro ISBN na Biblioteca Nacional e chancela da Câmara Brasileira do Livro. São nove artigos originais, assinados por cerca de 40 jovens de 15 a 17 anos, que saíram da sala de aula para investigar problemas que afetam o dia a dia de quem mora na Amazônia. O projeto nasceu dentro dos muros de uma instituição particular de ensino de Belém, mas os olhos dos pesquisadores mirins estavam voltados para as ruas, os canais e as praças da cidade.

O artigo que abre a publicação trata exatamente do problema que Isabella enfrenta na calçada: o destino do caroço de açaí. O estudo propõe a transformação desse resíduo, que entope bueiros e intensifica as enchentes no perímetro urbano, em placas isolantes sustentáveis. "A gente vê o caroço jogado na lama da avenida todos os dias. A pesquisa mostrou que dá para transformar esse lixo em material de construção, barato e que não agrava o aquecimento global", detalha Isabella, que sonha em ver as placas em obras populares na periferia.

A ligação com a COP30 não é coincidência. O projeto das placas de isolante já foi apresentado em ações preparatórias para a conferência do clima da ONU, que Belém vai sediar. A ciência feita por adolescentes ganha, assim, um papel de protagonismo no debate global, partindo de uma questão local: o que fazer com os milhares de toneladas de caroço descartados diariamente no mercado Ver-o-Peso e nos arredores da cidade.

Outras investigações da revista analisam a qualidade do ar na Região Metropolitana de Belém e o impacto do desmatamento no microclima de bairros como o do Guamá e da Terra Firme. Para o professor orientador do projeto, o grande mérito é tornar os jovens protagonistas da narrativa científica. "Eles não estão apenas lendo sobre ciência, eles estão produzindo conhecimento novo sobre a própria cidade", afirma o docente, destacando que o rigor metodológico foi o mesmo exigido em periódicos de pós-graduação.

A iniciativa já desenha planos para o futuro. A intenção dos organizadores é abrir chamadas para a próxima edição incluindo alunos da rede pública estadual e municipal, democratizando o acesso à pesquisa científica. A Revista Pulsar circula em versão digital e impressa, e os exemplares físicos já estão sendo encaminhados para bibliotecas escolares de municípios do interior do Pará.

O conteúdo completo dos artigos está disponível para download gratuito no portal da Revista Pulsar. Professores e gestores escolares interessados em utilizar a publicação como material didático ou em inscrever suas turmas para o próximo ciclo de pesquisas devem solicitar os editais através do e-mail contato@revistapulsar.com.br ou pelo formulário oficial disponível no site da iniciativa.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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