ed. #022
nortıcia
nortícia · cidades · tocantins
Nortícia CidadesTragédia na rodovia

Família questiona distância onde pé de estudante foi encontrado após acidente na BR-010 em Palmas

Jhenyfer, de 22 anos, morreu dias após colisão de moto; corpo foi encontrado a 5 km do local da batida, o que intriga os pais.

a
Ananda Rocha
Tocantins · AM
28 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 502 palavras
Acostamento da rodovia BR-010 em Palmas, com asfalto marcado por pneus e vegetação lateral.
Jhenyfer, de 22 anos, morreu dias após colisão de moto; corpo foi encontrado a 5 km do local da bati · Foto: Redação Nortícia

Maria Aparecida Silva para o carro no acostamento da BR-010, na altura do km 1197, em Palmas, todas as tardes. Ela olha para o asfalto quente, marca o ponto com os olhos e segue dirigindo por mais cinco quilômetros até o local onde a Polícia Rodoviária Federal encontrou um pé humano dias depois. "A minha filha bateu aqui. Como o pé dela foi parar lá?", pergunta ela, sem conseguir entender a física da tragédia.

Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, estudante de Nutrição de 22 anos, perdeu a vida nesta sexta-feira, duas semanas após o acidente. No dia 17 de maio, ela estava na garupa da moto pilotada pelo marido, Sergiomar de Freitas Lima, quando foram atingidos na região do Plano Diretor Sul. O impacto arrancou a perna esquerda da jovem, mas o membro só apareceu dias depois, a uma distância que a família julga improvável para um arremesso simples.

O boletim de ocorrência da PRF registra o acidente como uma colisão traseira. Sergiomar sobreviveu e relatou à polícia que um carro teria invadido a faixa, batendo na moto e jogando os dois para fora da pista. No hospital, Jhenyfer lutou por dias, mas a infecção decorrente da amputação traumática foi fatal. Ela morreu deixando o sonho de se formar no próximo semestre na Universidade Federal do Tocantins (UFT).

"Ela era a nossa alegria. Ia visitar a gente para levar um marmitex", lembra o pai, José Santos, pela linha do WhatsApp, com a voz trêmula. A família conta que aguarda o laudo do Instituto de Criminalística com ansiedade. O exame de DNA vai confirmar se o pé encontrado é realmente de Jhenyfer, mas o professor José já tem certeza: "Ela estava descalça quando saiu de casa. E o sapato que estava no pé encontrado é o mesmo que ela comprou no mês passado".

O trecho da BR-010 na saída para a TO-050 é um pesadelo conhecido pelos motociclistas de Palmas. Não há radares fixos num raio de dez quilômetros e a pista é larga, convidando o excesso de velocidade. Dados do Detran-TO apontam que pelo menos 15 acidentes graves foram registrados neste quilometragem específica apenas no primeiro semestre deste ano.

A Polícia Científica e a PRF mantêm o inquérito sob sigilo. A principal linha de investigação agora é estabelecer se houve falha no atendimento de emergência ou no resgate que explicaria a distância do membro. A perícia também busca imagens de câmeras de segurança de comércios próximos ao local onde o pé foi encontrado para rastrear o que aconteceu nas horas seguintes à batida.

Enquanto o laudo não sai, a família de Jhenyfer vive em limbo. O velório foi adiado pela terceira vez. "Não dá para enterrar uma pessoa inteira se falta um pedaço", diz Maria Aparecida. Ela reclama que nenhuma autoridade do Detran ou da Prefeitura de Palmas se manifestou sobre a sinalização da pista, apesar dos pedidos. O caso segue sob custódia da 18ª Delegacia Criminal de Palmas. Informações sobre o andamento do inquérito podem ser obtidas pelo telefone (63) 3218-3000.

a
◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cidades

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cidades no Norte. Sem agenda, sem partido.