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Fã de 51 anos viaja de Palmas para Gurupi e ganha rosa do cantor Daniel

Joselha Costa viajou de Palmas, esperou quatro horas na grade e reviveu a emoção do primeiro show, em 1993, ao receber uma rosa vermelha do ídolo.

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Padre Bruno Sena
Tocantins · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 618 palavras
Mulher segura rosa vermelha e papel autografado próximo a um palco iluminado.
Joselha Costa viajou de Palmas, esperou quatro horas na grade e reviveu a emoção do primeiro show, e · Foto: Redação Nortícia

Joselha Costa, 51 anos, encosta a barriga na grade do palco montado na avenida de Gurupi. O vento do sudoeste bate forte no cabelo dela, mas ela não se mexe. O sol já baixou, e o cheiro de poeira da estrada se mistura com o de cerveja murcha. Na mão esquerda, aperta o caderno de capa preta, liso; na direita, a caneta pronta para o que vier. Ao lado, a filha está quieta, dividindo o silêncio daquela espera que já dura quatro horas.

Vieram de Palmas. Não é uma viagem curta, são quase trezentos quilômetros de asfalto sul-tocantinense para ver um homem cantar sobre a vida. Mas para Joselha, aquilo ali não é só um espetáculo. É o cumprimento de uma promessa antiga, feita para ela mesma muito antes da filha nascer. No carro, durante o trajeto, o rádio ficou ligado no mesmo canal a viagem toda. Era a preparação. Chegaram cedo, tomaram café num bar da esquina e foram tomar lugar na grade. Quem passa acha que é loucura ficar tanto tempo em pé, sem ir ao banheiro, comendo apenas um sanduíche frio. Mas para quem espera com devoção, o tempo muda de figura. É hora de rezar em silêncio, de observar as outras pessoas, de recordar as outras vezes que esteve ali, de pensar na vida que mudou desde aquele primeiro autógrafo.

Ela conta que a admiração começou em 1993. O mundo era outro. Tinha dezenove anos e uma tia levou-a para ver a dupla João Paulo e Daniel na universidade. Lembra que o palco era simples, quase apenas madeira pregada, e o som talvez não fosse perfeito, mas algo bateu forte no peito. No fim da noite, sem medo, foram atrás do camarim. Era fácil chegar perto, não havia grades altas nem seguranças de blusa preta. Daniel assinou o papel, e aquele pequeno gesto plantou uma semente que trinta e três anos depois ainda está ali, viva e forte. Desde então, foram quatro shows. Cada um um marco na sua história pessoal. A filha, que agora a acompanha, cresceu ouvindo aquelas histórias e, sem entender muito no começo, acabou por se deixar levar pela correnteza daquela alegria simples.

Agora, a realidade é outra. A grade é alta, a luz dos refletores é ofuscante, a estrutura do show gigantesca. Mas a espera tem a mesma calma interior. Quando a música começa e Daniel finalmente aparece, não é o ídolo de rádio que se vê, é o cumprimento de um tempo. Ele canta as músicas que ela conhece de cor, aquelas que marcaram rompimentos e reconciliações. E então, o momento. Ele chega perto da grade onde ela está. Estende a mão, assina o caderno outra vez e entrega uma rosa vermelha.

A filha, hoje adulta, olha a mãe e entende. Aquele grito de fã, aquele olhar vidrado, não é coisa de menina, é um jeito que ela encontrou de se encontrar no mundo e de celebrar a própria história. A rosa vem como um símbolo, um carinho que atravessa o palco e chega até ela. "Ficamos sabendo que Daniel iria estar em Gurupi, aqui do lado, como não ir?! Minha filha embarcou nesse sonho com a mãe e, mais uma vez, senti uma felicidade que não tem explicação", diz ela, com os olhos brilhando, mas a voz firme, quem sabe para não chorar.

A música continua ao fundo, a multidão grita, mas Joselha já tem o que veio buscar. Guarda a rosa vermelha com cuidado no bolso da bolsa, como quem guarda um santinho de procissão, e respira fundo. A noite de Gurupi termina, os holofotes se apagam, mas o perfume da flor e a sensação do encontro vão durar a viagem toda de volta para casa.

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◆ Repórter · Nortícia Boa

Padre Bruno Sena

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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