Nova faixa verde em Porto Velho orienta motoristas e agiliza semáforos inteligentes
Sinalização indica onde parar para que sensores ativem o sinal; sistema já funciona em cruzamentos movimentados da capital.
Seu Raimundo Nonato, 56 anos, motorista de táxi há duas décadas em Porto Velho, freou o carro no cruzamento da Avenida Governador Jorge Teixeira com a Sete de Setembro na manhã desta terça-feira (27). Ele olhou para baixo e viu o que parecia uma tinta de sinalização que curava no asfalto: um retângulo verde pintado na faixa, bem antes da linha de retenção. "Parecia que era uma faixa de pedestre nova, mas não tinha passagem. Fiquei na dúvida se avançava ou parava em cima", relata Raimundo, girando o volante.
A dúvida do taxista, compartilhada por outros motoristas nos últimos dias, tem uma explicação tecnológica. A faixa verde não é apenas pintura: é o "botão de chamada" do novo sistema de semáforos inteligentes que a Prefeitura de Porto Velho está instalando na capital. A marcação indica o ponto exato onde as rodas do veículo devem parar para acionar os sensores instalados sob o asfalto.
A tecnologia funciona assim: laços indutivos enterrados no concreto detectam a presença de metal quando o carro para sobre a faixa verde. Com essa informação, o sistema central analisa o fluxo em tempo real e calcula se o tempo do sinal verde deve ser estendido ou reduzido. O objetivo é cortar o tempo de espera em vermelho quando a via está vazia e dar preferência quando há fila.
"Eu vi que, quando a gente para certinho em cima do verde, o sinal abre mais rápido. Antes, a gente esperava o tempo todo rodar mesmo sem ter ninguém vindo nos cruzamentos", observa Raimundo, que faz a linha bairro-centro todos os dias. "É questão de se acostumar a mirar a faixa."
Para que o sistema funcione, porém, depende da cooperação de quem dirige. Se o motorista parar antes da faixa verde — o que é comum em quem tem medo de avançar o sinal —, o sensor não detecta o veículo. O sistema entende que a pista está vazia e mantém o sinal fechado por mais tempo, gerando o efeito contrário ao desejado: uma espera desnecessária.
A Prefeitura informou, por meio da assessoria de mobilidade, que a instalação faz parte de um projeto mais amplo de modernização do trânsito. Até o momento, três cruzamentos estratégicos receberam a pintura e a ativação dos sensores, prioritariamente em pontos com alto índice de congestionamento nos horários de pico, como a saída para o Jaci-Paraná e acessos ao Centro.
Além do taxista, a mudança chamou a atenção de quem usa o transporte coletivo. A estudante Ana Paula Souza, 21 anos, espera o ônibus no ponto próximo ao novo semáforo da Alameda Rio Branco. Ela nota a diferença na hora da volta do trabalho. "Às 18h era um caos aqui, aquele monte de fileira. Hoje o fluxo andou bem mais rápido, o sinal não fica vermelho tanto tempo quanto antes", diz ela, consultando o celular.
Segundo o projeto, os semáforos inteligentes se comunicam entre si e com uma central de controle. Isso permite que, em caso de um acidente ou bloqueio em uma avenida principal, os sinais das vias transversais sejam ajustados para evitar que o trânsito "engargote" e espalhe o congestionamento para o bairro. A adaptação, porém, gera alguns imprevistos.
"Já vi gente buzinar de trás porque o da frente parou antes do verde. A gente precisa de uma campanha, de um aviso, porque não é todo mundo que lê as notícias da prefeitura no celular", alerta o motorista de aplicativo Carlos Mendes, 34 anos. Ele sugere que placas de sinalização vertical sejam colocadas para complementar a pintura no chão. "Enquanto não tem placa, é confuso."
A expectativa da gestão municipal é expandir a tecnologia para outros dez cruzamentos até o final do ano, aproveitando a estrutura de posteamento já existente. Enquanto a adaptação da frota e dos motoristas acontece, a recomendação é atenção: ao ver o retângulo verde no chão, alinhe o para-choque com ele.
Quem notar falhas no funcionamento dos semáforos ou dúvidas sobre a sinalização pode registrar uma reclamação ou elogio diretamente na Ouvidoria Municipal, através do telefone 156 ou pelo aplicativo "Porto Velho Digital". É no protocolo aberto lá que a equipe de engenharia de tráfego vai verificar se a detecção dos sensores está ocorrendo corretamente naquela faixa.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



