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Fan Fest em Manaus une seleção e ritmos regionais no Centro

Evento gratuito terá shows de Marrakesh e Bernardo Nunes antes e depois do jogo do Brasil contra o Haiti.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 593 palavras
Torcedores cantam e dançam em frente a telão montado em via pública do Centro de Manaus durante evento cultural.
Evento gratuito terá shows de Marrakesh e Bernardo Nunes antes e depois do jogo do Brasil contra o H · Foto: Redação Nortícia

O telão ainda está preto, silencioso como uma tela em branco, mas o som já preenche as esquinas do Centro de Manaus. É o repique do surdo e o brilho dos metais da banda Marrakesh testando a caixa de som, prometendo que a noite desta sexta-feira (19) vai ser muito mais do que apenas 90 minutos de futebol. Na calçada, o calor amazônico, úmido e abraçante, começa a se misturar com o suor da torcida que antecipa o primeiro grito. É a Fan Fest da Copa do Mundo, um grande quintal urbano onde o ritmo acelerado do Norte encontra a ansiedade contida do Brasil inteiro. Não é apenas um espaço para ver jogo; é um palco montado na rua para a performance da torcida.

Manaus tem uma relação peculiar e visceral com a seleção. Aqui, distante geograficamente dos estádios do eixo Sul-Sudeste, o torcedor se reúne nas praças e largos para assistir coletivamente, transformando o ato passivo de ver televisão em um evento comunitário e ruidoso. A cidade respira futebol, mas respira sobretudo a música que embala o futebol. A programação começa cedo, às 19h, servindo como aquecimento obrigatório para o duelo contra o Haiti, válido pela segunda rodada do mundial. Mas a bola só rola nos gramados americanos depois que Manaus já tiver dançado, batido palma e cantado, porque na Amazônia a festa exige prelúdio e cerimônia.

A curadoria musical da noite foi desenhada para acompanhar a curva de emoção do torcedor. A banda Marrakesh, conhecida por puxar o pé de dança da manauara com energia contagiante, abre o evento com o carnaval fora de época que o axé proporciona. É a injeção de ânimo necessária para quem ainda está chegando do trabalho, um convite para soltar o corpo antes da tensão do jogo. Os sopros da banda prometem cortar a mormaica da noite, criando uma atmosfera de vitória antecipada. Depois, no intervalo — aquele momento de suspense onde o silêncio pode ser perigoso — a DJ Rafa Militão assume os toca-discos. Ela entra com a batida eletrônica para não deixar o ar murchar, mantendo a adrenalina lá em alto com o repertório que anima as noites da cidade, mas agora amplificado para milhares de pessoas vestidas de amarelo.

Quando o apito final soar no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, a lágrima ou o sorriso em Manaus terá trilha sonora garantida. Bernardo Nunes sobe ao palco para encerrar a programação com arrocha e sertanejo pop, gêneros que calam fundo no ouvido regional e ditam o ritmo dos pátios e festas de interior. É a hora da comemoração desabrida ou do consolo melodioso, dependendo do placar, com aquela voz potente que arrasta multidões. A apresentadora Suelen Gonzaga, conhecida pelo carisma e pela capacidade de ler a sala, é a condutora dessa narrativa, intermediando o palco iluminado e a multidão que ocupa o asfalto como se fosse uma extensão da sua sala de estar.

A ocupação do Centro de Manaus é um ato de resistência cultural e vitalidade. Não é um estádio de concreto fechado, é o encontro democrático das ruas. O asfalto antigo vira pista de dança, a calçada vira arquibancada. A Fan Fest segue até às 23h30, gratuita, sem bilheteria ou cabine de VIP, aberta a quem quiser sentir o pulsar da torcida amazonense de perto. O Brasil joga nos Estados Unidos, mas a festa, o suor e a música acontecem aqui, no coração da floresta, onde a geografia não isola, apenas intensifica a conexão. O encontro é na rua, no calor humano, com o som alto e a torcida em uníssono.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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