Feira no Umarizal une Alceu Valença, Isaquias Queiroz e carimbó neste sábado
Evento gratuito mistura negócios locais, gastronomia e shows na Avenida Visconde de Souza Franco.
O som do cuíca ensaiado no palco provoca um frisson na calçada ainda vazia da Avenida Visconde de Souza Franco. No Umarizal, bairro que pulsa com o comércio e a boemia de Belém, o ar promete cheirar a óleo de dendê e café filtrado na prensa francesa neste sábado (30). É ali, no meio da rua, que acontece a primeira Feira do Empreendedor do Ponto BB Belém, um evento que tenta costurar, entre uma barraquinha de artesanato e outra, a economia local com a batida alegre da cultura paraense.
Não é apenas uma feira de negócios. A proposta é ocupar o asfalto com a vida que acontece dentro do Ponto BB, aquele espaço de coworking que virou um novo endereço de encontros na capital. Das 9h às 17h, a via se transforma em corredor de oportunidades, mas sem perder a alma de festa de bairro. A programação é densa e mistura o útil ao agradável, com uma área gastronômica servida por food trucks que prometem desde o tacacá no tucupi fino até hambúrgueres artesanais com molho de cupuaçu.
Às 13h, o palco principal ganha o grupo Nosso Tom. Eles trazem uma interpretação da MPB que dialoga com a umidade do ar de Belém, tocando violões de cedro que conversam com o vento da tarde. Mas a música não espera a hora oficial para começar: antes, apresentações de carimbó, com o ritmo marcado no surdo e a gingada do maracatá, preparam o terreno. É o som da memória do Norte batendo no concreto, relembrando que a tradição não está trancada em museu, mas viva na rua.
Entre o som e a feira, há espaço para a palavra e para o resgate de memórias. O Instituto Letras que Flutuam promove uma roda de conversa sobre a tradição dos abridores de letras, aquele artesanato fino de abrir correspondências em tempos de e-mail. É um resgate de um ofício que quase sumiu, lembrando que o papel, aqui, ainda tem peso de documento e de carinho, e que as mãos que trabalham o metal fino merecem ser vistas.
A presença de Alceu Valença é o ponto alto da atração. O cantor, que tem o Nordeste na garganta mas um coração que cabe no Brasil inteiro, circulando entre o público, traz a sua poesia performática. Acompanhando ele, o orgulho local Isaquias Queiroz. O caiaqueiro de Hunucmá, medalha de ouro olímpica, estará em sessão de autógrafos, provando que o sucesso tem endereço fixo e volta para casa para dividir a glória com quem torce da beira do igarapé.
A ideia dos organizadores é simples e potente: mostrar que empreender no Pará tem muitas vozes. É o vendedor de chupeta que virou microempresário, é a artesã que extrai o pigmento do urucum para tingir tecidos, é o músico que vive da arte. A feira é um espelho dessa multiplicidade, provando que a cultura não é um apêndice da economia, mas o motor que faz a cidade girar com sabor.
O encontro é gratuito e aberto a todos. Quem quiser conhecer o porão do Ponto BB, o espaço de coworking que abriga esses sonhos, também pode aproveitar a visita. É ali que a cultura ganha suporte para virar negócio, e o negócio ganha alma para não ser apenas número de nota fiscal.
A Feira do Empreendedor acontece neste sábado (30), das 9h às 17h, na Avenida Visconde de Souza Franco, Umarizal. A entrada é franca. O almoço, por sua conta e risco, fique de olho nos food trucks. A festa começa cedo.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



