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5ª edição do FestCine Mulher ocupa Filmoteca com produção feminina no Acre

Mostra gratuita em Rio Branco homenageia Fátima Cordeiro e Alcinethe Damasceno com exibição de 15 curtas sobre memória e identidade.

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Karina Pinheiro
Acre · AM
27 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 574 palavras
Sala de projeção com poltronas vermelhas voltadas para uma tela iluminada em ambiente escuro.
Mostra gratuita em Rio Branco homenageia Fátima Cordeiro e Alcinethe Damasceno com exibição de 15 cu · Foto: Redação Nortícia

O ar condicionado da Filmoteca da Biblioteca Estadual Adonay Barbosa funciona como uma cortina de ar fresco contra o calor úmido de Rio Branco ao meio-dia. Lá dentro, o cheiro de madeira antiga e poeira de livro se mistura ao som elétrico sutil do projetor pronto para rodar, enquanto a luz da janela cria um jogo de sombras nas poltronas vermelhas desgastadas pelo tempo. É nesse refúgio de silêncio urbano, no Centro da cidade, que o 5º FestCine Mulher abre suas portas para mostrar, com nitidez, quem está por trás da câmera no Acre.

Não é apenas uma mostra de filmes, mas uma ocupação necessária e afetiva do espaço audiovisual. De quarta-feira (27) a sexta-feira (29), a programação gratuita reúne 15 curtas-metragens dirigidos por mulheres. As telas serão ocupadas por narrativas que tocam na memória afetiva da floresta, na identidade de quem transita entre a cidade e o ribeirinho, na inclusão e na resistência cotidiana. São histórias que o cinema de mercado muitas vezes deixa passar por falta de orçamento ou interesse, mas que aqui ganham a tela inteira, iluminadas por um olhar que só quem vive a Amazônia desde dentro consegue capturar.

Esta edição carrega o peso e a doçura da homenagem. A festa celebra Fátima Cordeiro e Alcinethe Damasceno, duas mulheres que não apenas fizeram, mas estruturaram o caminho para o audiovisual acreano. Fátima, com sua presença marcante no teatro e na direção, é uma espécie de matriarca viva dos palcos locais, capaz de comandar um elenco com um olhar ou segurar a câmera com a mesma firmeza com que segura um texto. Alcinethe, jornalista e cineasta, dedicou anos a apontar a lente para as gentes do Acre, registrando festas, dificuldades e a beleza bruta do cotidiano com uma precisão documental que serve de arquivo histórico. Homenageá-las é reconhecer que, antes dos editais e das leis de incentivo, existia a teimosia dessas mulheres em filmar.

Ao longo dos três dias, o público é convidado a percorrer este mapa audiovisual. Há filmes que tratam do resgate de tradições orais, outros que discutem o corpo e o território, sempre com uma estética que foge ao óbvio. A curadoria evita o sensacionalismo para mergulhar no intimismo. Não se trata de "cinema de mulher" como um nicho menor, mas de um cinema de autoria que expande a linguagem ao usar a sensibilidade feminina como ferramenta de narrativa. A organização estima encher os 80 lugares da sala todas as noites, um desafio que demonstra a fome por essa produção específica.

O festival pulsa também nos intervalos. As oficinas e debates transformam a Filmoteca em uma sala de aula viva. É ali que a diretora iniciada em Rio Branco troca experiências com a produtora que vem do interior. O networking nasce do chão batido, longe dos coquetéis corporativos. O som que ecoa nos corredores da biblioteca não é apenas o da trilha sonora dos filmes, mas o da conversa que continua após os créditos finais, o do interesse mútuo, o da construção de uma teia que sustenta a produção local contra as dificuldades logísticas da região.

Para quem quer mergulhar nesse universo, o caminho é simples. O FestCine Mulher acontece na Filmoteca da Biblioteca Estadual Adonay Barbosa, localizada na Rua Benjamin Constant, no Centro de Rio Branco. A entrada é franca e as sessões começam a partir das 19h. Vale chegar um pouco antes para garantir lugar na primeira fila e sentir a luz do projetor de perto.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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