Festival Sunset mistura o pop de Marina Sena e Gilsons ao batuque de Belém no Porto Futuro
No dia 6 de junho, o palco do Porto Futuro I recebe estrelas nacionais e bandas locais em uma noite que une o groove de fora com o ritmo do rio.
O vento que bate no cais do Porto Futuro I, em Belém, vem carregado de sal e promessa. Se você fechar os olhos antes do show começar, ouve o guindaste da margem e, logo depois, o teste do thumper da caixa de som, um grave que faz o chão de cimento vibrar sob as solas dos tênis. É terça-feira, dia 6 de junho, e o horizonte do Rio Guamá está pronto para receber o Festival Sunset, uma noite que costura o pop feito no eixo Rio-São Paulo com o tecido sonoro que pulsa nas veias do Pará.
Não é apenas mais uma parada de turnê. É uma troca. De um lado, a máquina de pop groove de Marina Sena, que traz a segunda leva do álbum Coisas Naturais (2025), e a família Gilsons, dona de um MPB que não envelhece porque se recusa a ficar parada. Do outro, a energia suada e experimental do Fruto Sensual e o dub profundo do Reggaetown, nomes que transformam os subúrbios de Belém em laboratório de som global.
Marina Sena, 26 anos, não desembarca em Belém para repetir o script. Desde o lançamento de Coisas Naturais, a mineira trocou a estética cyber-pastel por algo mais terroso. O repertório que ela deve apresentar pede a guitarra mais presente, o baixo mais solto, como se estivesse tirando o sapato alto para pisar na grama. Faixas como "Numa Ilha" ganham uma nova camada ao ar livre, longe dos estúdios herméticos. A expectativa é que ela traga os hits que a consagraram, como "Por Supuesto" e "Vício Inerente", mas é na nova sonoridade, menos robótica e mais orgânica, que o público paraense deve encontrar pontos de contato com a própria paisagem.
Completando o time de headliners, Os Gilsons trazem a curadoria familiar. Formado por José Gil e seus filhos João e Francisco, o trio executa uma ginástica rara: manter a raiz da MPB intacta enquanto enxergam o futuro. A turnê "Eu Vejo Luz" é uma viagem afetiva. "Devagarinho" e "Várias Queixas", cantadas em uníssono por pai e filhos, funcionam como mantras modernos. No palco, a química é palpável, e o violão sete cordas de José Gil dialoga com a produção eletrônica sem choques, apenas encontros felizes que pedem para ser ouvidos de perto.
Mas é o aquecimento que define a identidade da festa. O Fruto Sensual, banda que já cruzou as fronteiras do bairro do Guamá para o circuito indie nacional, representa a invenção constante da juventude paraense. O som deles mistura o rock, o brega e o funk em um caldo que não cabe em rótulo, cheio de referências locais e batidas que fazem o quadril girar sem pedir licença. Já o Reggaetown é a lição de casa feita com carinho. O grupo resgata a herança jamaicana em Belém, um porto historicamente aberto ao mundo, e atualiza o ritmo com samples e bass lines pesadas que fazem a cabeça dos DJs europeus, mas que nasceram da Ilha do Marajó à Ilha das Onças. A DJ Celine fecha o ciclo, garantindo que ninguém pare de dançar enquanto a lua não subir.
Belém, quando ama, dança. E a cidade ama um bom ritmo. O local escolhido, o Porto Futuro I, devolve ao estuário sua vocação de ponto de encontro. A arquitetura de galpões recuperados cria um ambiente acústico singular, onde o som não morre nas paredes, mas viaja pelo espaço, se misturando ao barulho da água batendo nos pilares. É o cenário perfeito para um encontro que não é só de músicas, mas de gerações e geografias.
O festival acontece no dia 6 de junho, a partir das 17h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial do evento, com valores que variam entre R$ 130 e R$ 350. O convite é para deixar a roupa apertada em casa, calçar algo que aguente o chão e chegar cedo para ver o sol pintar o céu de lilás e laranja antes de a primeira banda entrar. A música começa no palco, mas a festa acontece de corpo inteiro.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



