Ao vivo: Murilo Lima comanda a conversa do Acre no JAC1
O jornalista abre espaço para debates e entrevistas na TV Acre; participação pelo telefone é o canal direto com o público.
A luzinha vermelha acima da câmera pisca em um ritmo silencioso, quase cardíaco. No estúdio da TV Acre, o ar condicionado briga contra o calor úmido de Rio Branco, mas o microfone capta apenas o som grave e pausado de Murilo Lima ajeitando os papéis. É o sinal. O JAC1 está no ar. Não é apenas um programa de entrevistas; é o sofá da sala de estar da acreanidade espalhada pelo sinal aberto, um ritual de domingo (ou dia de exibição) onde a conversa flui sem o apressamento das redes sociais.
Murilo Lima não grita. Ele conduz. Com décadas de rádio e TV na voz, o jornalista tem o dom de transformar uma pergunta simples em uma ponte para a memória do entrevistado. Quando ele recebe um convidado naquela mesa, seja um político da arena, um artista domadeira ou um cidadão comum com uma história extraordinária, o que acontece ali é uma escuta pública. O JAC1保留了 a velha e boa escola do jornalismo impresso aplicada ao vídeo: tempo para o outro falar.
O formato parece simples, quase despojado para quem está acostumado com a poluição visual das TV abertas de fora. Câmera fixa, um pequeno cenário que lembra uma sala de estar dos anos 80, e o foco total na palavra. Mas é nesse aparente minimalismo que a magia acontece. Sem truques, a força é o conteúdo. É a repercussão do que se diz. É o "viva" no título que significa risco, que significa que qualquer coisa pode acontecer, pois o fio da transmissão está quente.
E é aí que entra o público, o verdadeiro coração do programa. Enquanto em muitos lugares a interatividade se resume a um botão de "like" ou comentários tóxicos numa caixa de texto, no JAC1 o Acre ainda fala ao telefone. O número (68) 99211-2930 aparece na tela, convidando. A linha muitas vezes chiando, o atraso de poucos segundos, a voz vindo do interior, da BR-364, da fronteira com a Bolívia, trazendo um recado, uma crítica ou um agradecimento. É o som do território entrando no estúdio, cru e sem filtro.
Karina Pinheiro observa daqui de Belém: há uma melodia específica nesses programas regionais de entrevistas. Eles funcionam como ágoras modernas. No Acre, o JAC1 tem esse peso. Ele documenta o humor do estado, as dores e as alegrias, semana após semana. É um arquivo audiovisual da alma acreana. Ver Murilo Lima conduzir aquele diálogo é ver um mestre de cerimônias da própria história local, administrando o tempo e a paciência para que a verdade — seja ela factual ou emocional — encontre espaço para respirar.
Se você está em casa, com o controle remoto na mão, ou acessando pelo stream, vale a pena parar por uns minutos. Não para ver espetáculo, mas para testemunhar o encontro. Ou, melhor, participar. Pegue o telefone. A grade de programação da TV regional, muitas vezes esquecida pelos algoritmas gigantes, ganha vida quando a voz do povo ocupa a trilha sonora.
O JAC1 com Murilo Lima está no ar agora. A sintonia é aberta para quem quer ouvir e, principalmente, para quem quer falar.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



