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Governo do Amazonas troca comando da Saúde; Luís Alberto Saraiva assume SES-AM

O cirurgião cardiovascular substitui Nayara Maksoud, que deixou a pasta após dois anos. Governo afirma que foco será fortalecer assistência no interior.

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Eliana Castro
Amazonas · AM
29 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 595 palavras
Luís Alberto Saraiva posse ao lado do governador Roberto Cidade em Manaus.
O cirurgião cardiovascular substitui Nayara Maksoud, que deixou a pasta após dois anos. Governo afir · Foto: Redação Nortícia

O governador Roberto Cidade (União) trocou o comando da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) nesta sexta-feira (29) e nomeou o médico cirurgião cardiovascular Luís Alberto Saraiva Santos para o cargo.

A alteração redefine a estratégia de gestão da maior pasta do orçamento estadual, que responde por cerca de 30% dos gastos discricionários do governo, num momento em que o Amazonas busca recuperar o patamar de repasses federais para a área hospitalar. A nova gestão assume sob a pressão de reduzir a fila de 28 mil pessoas aguardando cirurgias eletivas no estado.

Nayara Maksoud deixou a secretaria após 27 meses à frente da pasta. Ela assumiu em março de 2024 e conduziu a pasta durante o período mais agudo da transição pós-pandemia. Em seu balanço oficial, Maksoud destacou a expansão da oferta no interior. "Conseguimos diminuir o deslocamento dos usuários do interior para a capital e levar mais dignidade para quem vive nos municípios. Tenho orgulho do que construímos", afirmou a ex-secretária em comunicado oficial.

O perfil de Luís Alberto Saraiva contrasta com o da gestora anterior. Formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o novo secretário traz a experiência do chão de hospital, mas enfrenta desafios na articulação política com os 62 prefeitos do interior. Saraiva atuou como chefe do serviço de cirurgia cardiovascular do Hospital Santa Júlia, unidade de referência em alta complexidade privada no estado.

A expectativa do Palácio Rio Negro é que a pasta avance no projeto de interiorização da Telessaúde, que prevê a conexão de médicos de Manaus com unidades de saúde de municípios isolados via satélite. O projeto, orçado em R$ 45 milhões, estava parado desde 2025 por problemas de licitação. A retomada é uma das prioridades listadas pelo governador Roberto Cidade na posse do novo secretário.

A mudança no comando da SES-AM ocorre uma semana após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) emitir alerta sobre a execução financeira da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), vinculada à pasta. O tribunal apontou irregularidades na compra de insumos para o combate à dengue, o que gerou um desgaste político com a bancada federal do Amazonas.

A nomeação foi publicada em Diário Oficial extra. A posse está marcada para segunda-feira (2). Segundo assessores do governo, o primeiro ato de Saraiva será a recomposição da diretoria da Fundação Hospitalar de Doenças Tropicais (FHD-RT), responsável pelo atendimento de referência em doenças infecciosas na capital.

A oposição na Assembleia Legislativa (ALE-AM) aguarda a fala de investidura para cobrir o plano de trabalho. Para o deputado Arthur Bisneto (PSDB), a prioridade deve ser a correção do teto da média complexidade. "O Amazonas perdeu R$ 300 milhões em 2025 por não conseguir executar recursos federais a tempo. O técnico precisa afinar a máquina administrativa", criticou o parlamentar.

O novo secretário terá de lidar com a negociação do novo contrato de gestão com o Hospital das Clínicas Gaspar Vianna, maior unidade pública estadual de especialidades. O contrato atual vence em dezembro de 2026 e as discussões sobre o aumento do valor per capita do SUS começam em julho. Segundo a SES-AM, o repasse federal saltou de R$ 300 para R$ 350 mensais por habitante nos últimos dois anos, mas a inflação médica corroeu o poder de compra.

A nomeação de Saraiva é a terceira alteração de nível ministerial no governo Cidade desde o início do ano. Anteriormente, houve troca na Casa Civil e na Secretaria de Fazenda. No caso da Saúde, a expectativa é de estabilidade até o final do mandato, em 2028, para garantir a continuidade dos convênios com o Ministério da Saúde.

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◆ Repórter · Nortícia Política

Eliana Castro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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