Governo federal assina ordens de serviço para duplicação da BR-319 em Manaus
Ato no Estaleiro Juruá libera R$ 2,4 bilhões para lotes 4 e 5, conexão estratégica para o escoamento da produção do Polo Industrial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira, no Estaleiro Juruá, em Manaus, as ordens de serviço para a recuperação e pavimentação dos trechos finais da BR-319. O ato formaliza a liberação de R$ 2,4 bilhões para as obras de duplicação da rodovia, que conecta a capital amazonense a Porto Velho (RO).
A assinatura dos contratos é o desbloqueio financeiro necessário para retomar o Lote 4 e iniciar as intervenções no Lote 5, considerados os pontos críticos do asfaltamento. A BR-319 é a principal via de escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus para o Centro-Sul do país. A ausência de asfalto no trecho intermediário encarece o frete e aumenta o prazo de entrega de insumos em até três dias durante o período de chuvas.
A rodovia, projetada na década de 1970, teve sua construção interrompida em 1988. Desde então, o trecho de cerca de 400 km entre Manaus e Humaitá permanece sem pavimentação, transformando-se em um corredor de terra que exige alto custo de manutenção logística. O atual governo incluiu a obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como prioridade de infraestrutura regional.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM), articulador político do evento no Amazonas, classificou a assinatura como o marco do "fim do isolamento". Segundo o parlamentar, a garantia de recursos no Orçamento de 2025 foi condição negociada com a equipe econômica para viabilizar os contratos. A expectativa do governo local é que a duplicação reduza em até 30% o custo do frete rodoviário para as indústrias da Zona Franca.
Durante o discurso no estaleiro, Lula reiterou que a conclusão da obra é uma questão de soberania nacional. "Não podemos ter uma capital do tamanho de Manaus desconectada do resto do Brasil por uma estrada de terra", afirmou o presidente, destacando a presença de ministros do Transportes e do Planejamento no ato como sinal de prioridade administrativa.
A execução das obras ficará sob responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O cronograma prevê a conclusão do Lote 4 em 24 meses, enquanto as obras no Lote 5 demandarão estudos de geotecnia mais aprofundados devido ao solo da região. O contrato prevê multas por atraso e mecanismos de fiscalização ambiental exigidos pelo licenciamento do Ibama.
Além do impacto econômico, a pavimentação da BR-319 é vista como um fator de segurança pública e ordenamento territorial. O governo do Amazonas prevê a instalação de bases da Polícia Rodoviária Federal ao longo do trecho para combater o roubo de cargas e o garimpo ilegal nos acessos laterais.
Os recursos liberados nesta quarta compõem a primeira fase de um pacote total estimado em R$ 4,5 bilhões para a rodovia. O próximo passo do governo federal é a licitação dos trechos de manutenção da estrada existente para garantir a trafegabilidade enquanto as obras de asfaltamento avançam. A agenda em Manaus também serviu para alinhar as bancadas do Norte em torno da votação do marco fiscal do próximo ano.
Eliana Castro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

