Homem é condenado a 21 anos por assassinato motivado por tráfico em Boa Vista
Condenado por crime cometido em 2025, réu cumpre pena em regime fechado por homicídio qualificado e porte de arma.
A 2ª Vara Criminal de Boa Vista condenou na manhã desta terça-feira (4) um homem de 29 anos a 21 anos, cinco meses e 19 dias de reclusão pelo homicídio doloso qualificado de Dihoberth Ramirez Martinez, ocorrido em março de 2025. A sentença, assinada pela magistrada responsável pelo caso, considera as qualificadoras do motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, resultando no aumento da pena-base acima do mínimo legal.
O crime foi registrado no dia 18 de março de 2025, em uma vila de apartamentos situada no bairro Dr. Silvio Botelho. Segundo o inquérito policial conduzido pela 15ª Delegacia Civil de Boa Vista, a execução foi motivada por dívidas contraídas pela vítima no tráfico de entorpecentes. As investigações indicam que o grupo criminoso monitorou a rotina de Dihoberth e de sua família por diversos dias antes da ação.
Conforme descrito na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), três indivíduos participaram da ação. No momento do crime, os suspeitos chegaram ao local a bordo de uma motocicleta e, após localizar a vítima no estacionamento da residência, efetuaram disparos de arma de fogo. Dihoberth, atingido, correu para o interior do imóvel em busca de proteção, mas foi perseguido pelos executores. O jovem de 21 anos veio a óbito na sala de casa, na presença do pai.
O réu condenado nesta terça-feira foi preso em maio de 2025, durante uma operação da Polícia Civil de Roraima (PCRR) que culminou na apreensão da arma utilizada no crime e em coletas de prova que ligaram o acusado ao local da execução. Além do homicídio, ele foi responsabilizado pelos crimes de furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo, com as penas somadas em regime inicialmente fechado.
Durante a instrução processual, a defesa técnica alegou que o condenado atuou sob coação moral de terceiros, tese rejeitada pela magistrada ao analisar as provas testemunhais e periciais. Testemunhas ouvidas em audiência confirmaram a vigilância realizada pelo grupo no dia anterior ao crime. A perícia forense constatou que a vítima foi alvejada por múltiplos projéteis, sendo o disparo fatal disparado à queima-roupa.
Os outros dois envolvidos nas ações, com idades de 24 e 29 anos, continuam respondendo ao processo em liberdade. A PCRR informou que as investigações contra eles seguem em sigilo, aguardando a conclusão de laudos balísticos complementares. A defesa do condenado, representada pela Defensoria Pública, manifestou intenção de recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR).
Com a sentença, o Ministério Público destacou o desfecho como medida de justiça para um crime que chocou a comunidade local. O condenado será transferido da delegacia para o sistema penitenciário estadual nos próximos dias para iniciar o cumprimento da pena. O processo recebeu número sigiloso para proteger a identidade de colaboradores da investigação.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



