ed. #022
nortıcia
nortícia · economia · amazonas
Nortícia EconomiaRadar IDHM 2024

IDHM do Amazonas avança 9,5%, mas permanece abaixo da média nacional

Estado chegou a 0,767, puxado por renda, enquanto Brasil atingiu patamar de desenvolvimento muito alto (0,805).

r
Renato Lobo
Amazonas · AM
28 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 544 palavras
Gráfico de barras comparando a evolução do IDHM do Amazonas versus a média do Brasil entre 2021 e 2024.
Estado chegou a 0,767, puxado por renda, enquanto Brasil atingiu patamar de desenvolvimento muito al · Foto: Redação Nortícia

O Amazonas avançou 9,5% no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) entre 2021 e 2024, passando de 0,700 para 0,767 — uma recuperação robusta que, contudo, mantém o estado 4,7% abaixo da média nacional de 0,805, recém-divulgada pelo Radar IDHM 2024. O estudo, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o IBGE, marca a entrada do Brasil no grupo de países com desenvolvimento humano "muito alto", um patamar que o Norte ainda não alcançou de forma plena.

Para colocar em perspectiva: enquanto o agregado nacional saltou da categoria "alto" para "muito alto" (corte em 0,800), o Amazonas melhorou sua posição interna, mas continua dependente da performance da Região Metropolitana de Manaus (RMM). A capital e seus entornos subiram de 0,716 para 0,786 no mesmo período, taxa de crescimento superior à média estadual, puxando o número global para cima. Isso confirma o fenômeno de concentração de renda e serviços na capital, deixando o interior do estado à sombra do progresso.

"O salto de quase 10% em apenas três anos é estatisticamente significativo, mas precisa ser lido com cautela. O ano base de 2021 ainda carregava os efeitos da pandemia na renda e na educação. Em 2024, o cenário de normalização econômica, somado à expansão do Bolsa Família e ao reaquecimento do comércio local, inflou o componente de renda, que tem peso maior no cálculo", analisa o economista Mauro Thury, do Departamento de Economia da UFAM, especialista em indicadores regionais. Ele ressalta que o IDHM é uma média ponderada de três dimensões — longevidade, educação e renda — e que o avanço na última mascara deficiências estruturais nas duas primeiras.

A série histórica mostra que, apesar do ganho recente, o Amazonas estagnou em termos de longo prazo. Em 2012, o índice era de 0,706. Em 12 anos, o ganho líquido foi de apenas 0,061 pontos, o que indica uma capacidade limitada de converter crescimento econômico em melhorias sociais duradouras. Comparado ao Sudeste, que lidera o ranking nacional, o Amazonas ainda perde em escolaridade média e expectativa de vida, refletindo a falta de políticas públicas consistentes em saúde e saneamento básico no interior.

O impacto na vida do trabalhador é direto. Um IDHM mais alto pressupõe maior acesso a serviços e qualidade de vida, mas a realidade dos 61 municípios amazonenses fora da RMM é de infraestrutura precária. O desenvolvimento desigual cria um "Amazonas de duas velocidades": o da capital, conectada ao Polo Industrial e aos serviços terciários, e o do interior, dependente de atividades extrativistas e com baixa densidade de capital humano.

Os dados do Radar IDHM 2024 servem como termômetro para a gestão pública estadual. O desafio agora não é apenas manter o crescimento da renda, mas acelerar os ganhos em educação e longevidade para que o estado alcance, na próxima década, o patamar de desenvolvimento muito alto que o Brasil como um todo acaba de comemorar. Sem investimentos pesados em rede de ensino e atenção primária à saúde, o abismo entre o Amazonas e o centro dinâmico da economia nacional tende a persistir. A próxima medição de expectativa de vida pelo IBGE, prevista para 2027, será crucial para confirmar se o progresso atual é sustentável ou apenas um espasmo estatístico pós-crise sanitária.

r
◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Economia

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em economia no Norte. Sem agenda, sem partido.