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Unir testa fitoterápicos para reduzir custos na criação de tambaqui em RO

Pesquisa busca alternativas aos antibióticos industriais para sanar doenças em peixes nativos, potencializando margem do produtor.

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Renato Lobo
Rondônia · AM
28 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 457 palavras
Pesquisadores analisam tambaquis em tanque experimental na Universidade Federal de Rondônia.
Pesquisa busca alternativas aos antibióticos industriais para sanar doenças em peixes nativos, poten · Foto: Redação Nortícia

A piscicultura em Rondônia está diante de um potencial divisor de águas econômico: pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) validam o uso de fitoterápicos, especificamente a planta rabo-de-gato, para substituir antibióticos na ração do tambaqui — o peixe nativo mais produzido da Amazônia Legal. Para o produtor rural, a equação é simples: menos antibiótico industrial significa redução no custo de produção e, consequentemente, aumento da margem de lucro em um setor onde a sanidade é o principal gargalo.

Para colocar em escala: a cadeia produtiva do pescado no Norte cresceu a taxas superiores à média nacional nos últimos cinco anos, impulsionada pelo consumo regional e pela exportação, mas perdas por doenças bacterianas ainda corroem até 20% da receita bruta em pequenas e médias propriedades, segundo levantamentos da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR). A pesquisa apresentada na 13ª Rondônia Rural Show Internacional em Rolim de Moura busca justamente atacar essa ineficiência sistêmica.

"A gente trabalha com a sanidade aquícola com tambaqui, que é o maior peixe nativo da região norte do Brasil. A gente procura fitoterápicos, que são alternativas a medicamentos contra bactérias do ambiente aquático", explicou o acadêmico Pedro Henrique Caçal da Silva, de 21 anos, integrante do grupo de pesquisa e extensão em Sanidade Aquícola da Unir. O uso do extrato de rabo-de-gato promete atuar como imunomodulador, reduzindo a necessidade de tratamentos químicos agressivos e caros.

Do ponto de vista macroeconômico, a adoção de protocolos de produção orgânica ou "limpa" agrega valor à carne do tambaqui, abrindo portas para mercados mais exigentes, como o europeu e o asiático, que restringem o uso de antibióticos na criação animal. Enquanto a piscicultura no Sudeste do país, focada na tilápia em tanques-rede, opera com margens apertadas e alta dependência de rações industriais, o Norte tem na biodiversidade sua vantagem comparativa — transformar a flora local em insumo produtivo.

A técnica estudada pela Unir, se comprovada em escala comercial, poderia reduzir a dependência de importações de insumos veterinários, cujos preços flutuam conforme o câmbio do dólar. O agronegócio rondoniense, historicamente focado no grão, vê na piscicultura uma alternativa de diversificação de renda, especialmente para pequenos produtores que dispõem de áreas alagáveis. A substituição do insumo sintético pelo natural, extraído da planta, descentraliza a tecnologia e coloca-a na mão do produtor.

O estudo ainda está em fase de testes de eficácia bacteriológica, mas os resultados preliminares apresentados no evento agropecuário indicam potencial de redução na mortalidade dos lotes. O próximo passo, segundo o grupo de pesquisa, é a análise de custo-benefício em campo: comparar o preço por quilo de peixe produzido com a ração tradicional e com a ração enriquecida com o fitoterápico. A expectativa é que o protocolo esteja disponível para extensão rural já no próximo ciclo safra.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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