Implante anticoncepcional passa a ser oferecido pelo SUS em Palmas
Método subdérmico está disponível em Unidades de Saúde da Família; procedimento é reversível e atende público de 14 a 49 anos.
Jéssica Souza, 24 anos, sentou no banco da fila da Unidade de Saúde da Família 302, no Taquari Sul, logo que a porta abriu. O protocolo na mão, número 12, era o passe de entrada para uma demanda que ela esperava há tempos: o implante anticoncepcional. Desde segunda-feira (1º), a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas ampliou a oferta do método subdérmico Implanon em todas as USFs da capital, e a notícia correu rápido entre as mulheres da quadra 409.
"A gente ouve falar, mas às vezes não tem na farmácia ou a fila é gigante. Hoje foi rápido", conta Jéssica, que trabalha como recepcionista e diz não ter tempo de se preocupar com métodos diários. O implante é um pequeno bastonete plástico, do tamanho de um palito de fósforo, que contém 68 mg de etonogestrel. Colocado sob a pele do braço, ele impede a ovulação por até três anos.
A inclusão do Implanon na rede básica faz parte da política de planejamento familiar da prefeitura. Para ter acesso, o caminho começa com uma consulta de triagem. Não é ir lá e furar o braço. A enfermeira Lenira Santos, que atende na USF do Araguaia, explica que a segurança vem antes. "A gente faz a anamnese toda, checa pressão, histórico familiar. Se a paciente tem suspeita de gravidez, algum problema de fígado ou câncer de mama, o método é contraindicado", explica a profissional, com 15 anos de atenção básica.
Entre as visitantes da manhã está Maria Aparecida, 45 anos, moradora do setor 102 Norte. Ela veio pela filha de 17 anos. "Ela estuda o dia todo, esquece as coisas. Prefiro algo seguro", diz Maria. Na sala de espera, o assunto vira conversa de vizinhas. São adolescentes, mães jovens, mulheres que já criaram os filhos e não querem mais engravidar. O público-alvo do SUS, via de regra, é mulheres e pessoas com útero entre 14 e 49 anos.
O método é reversível. Se a paciente decide engravidar, basta voltar à unidade para a retirada do bastonete. O procedimento de inserção leva cerca de dez minutos, feito com anestesia local. A prefeitura reforça que a oferta é contínua, mas o estoque depende da demanda de cada região. A recomendação é ligar para a unidade mais próxima antes de sair de casa para garantir que o produto está na geladeira.
Além do Taquari e Araguaia, a Semus informou que o material já foi repassado para unidades que cobrem a região do 104 Sul, 303 Norte e 108 Norte. A lista completa de endereços e horários de funcionamento está no aplicativo "Palmas Saúde", disponível para Android e iOS.
Quem deseja realizar o procedimento deve levar documentos pessoais, cartão do SUS e, se possível, exames recentes. O acompanhamento após a inserção é feito nas próprias USFs. Para denunciar falta do medicamento ou tirar dúvidas sobre critérios médicos, o canal oficial é o telefone 156 da Ouvidoria Municipal ou o e-mail da Semus.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



