Inscrições para vagas temporárias da Aadesam com salários de até R$ 9 mil terminam nesta terça
Processo seletivo visa fortalecer Projeto Produzir Amazonas com técnicos para o interior; ofertas superam média salarial regional.
O Processo Seletivo Simplificado (PSS) da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) encerra as inscrições nesta terça-feira (9) oferecendo salários que chegam a R$ 9 mil para cargos temporários no Projeto Produzir Amazonas. A oferta de vagas representa uma injeção pontual de renda em um mercado de trabalho que ainda precisa se estruturar fora da Zona Franca de Manaus.
Para colocar em escala: o teto salarial de R$ 9 mil oferecido para profissionais de nível superior, como nutricionistas e engenheiros florestais, é superior à média nacional para cargos de assessoria no setor público, que gira em torno de R$ 6,5 mil. No Amazonas, onde a renda média per capita é uma das mais baixas do país, segundo o IBGE, essa remuneração tem alto impacto no consumo local, especialmente nos municípios do interior onde o poder de compra é mais restrito.
O programa, vinculado à Secretaria de Produção Rural (Sepror), foca em fortalecer a cadeia produtiva da agricultura familiar, setor que responde por parcela significativa do PIB agrícola estadual. A contratação de técnicos e assistentes sociais visa reduzir a mortalidade de projetos produtivos no interior, problema crônico associado à falta de acompanhamento qualificado.
"A informalidade no campo amazonense ainda é alta. Levar assistência técnica qualificada é o único jeito de elevar a produtividade sem aumentar o desmatamento", analisa o economista Mauro Thury, do Departamento de Economia da UFAM. Ele ressalta, contudo, que a contratação temporária é uma faca de dois gumes: "Resolve a falta de mão de obra imediata do governo, mas não garante a continuidade das políticas públicas após o fim do contrato".
A seleção abrange cargos que vão do ajudante de caminhão ao jornalista, passando por administrador e contador. A amplitude das vagas sugere que o projeto exige não só braços no campo, mas também uma estrutura de back-office para gerir recursos e comunicação em Manaus. Enquanto a capital detém a maior fatia dos postos formais de trabalho — concentrados no Polo Industrial — o interior depende de iniciativas estatais como esta para gerar emprego de qualidade.
Do ponto de vista fiscal, o custo destas contratações temporárias sai do orçamento da Sepror. Diferente do servidor concursado, o temporário não gera estabilidade nem despesa previdenciária de longo prazo para o Estado, o que alivia as contas públicas em um horizonte de dez anos, mas cria uma rotatividade que pode prejudicar o andamento das obras e projetos se não houver gestão rigorosa.
O investimento em capital humano, mesmo que temporário, é essencial para um estado onde a densidade demográfica é baixa e os custos logísticos são altos. Colocar um nutricionista ou um engenheiro florestal em municípios distantes como Carauari ou Tefé tem um custo médio de deslocamento e manutenção que triplica o valor do salário, mas é necessário para ocupar o território.
As inscrições, que têm taxas variáveis de acordo com o nível de escolaridade, devem ser feitas exclusivamente pelo portal da Aadesam. A expectativa do mercado é de que a procura seja alta, dada a escassez de oportunidades privadas no interior. O próximo indicador a ser monitorado será o índice de preenchimento das vagas: historicamente, processos seletivos para o interior sofrem com a evasão de candidatos aprovados que não desejam se deslocar da capital.
A convocação dos aprovados está prevista para o final de junho, com início das atividades previsto para julho. O resultado da economia amazonense no terceiro trimestre dependerá, em parte, de quão rápido esses recursos começam a circular nos comércios locais das cidades interioranas.
Renato Lobo
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



