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JAC2 coloca microfone aberto para demandas do cotidiano em Rio Branco

Apresentadora Quésia Melo recebe ligações da população no Studio C; linha permanece aberta para relatos e reclamações.

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Ananda Rocha
Acre · AM
27 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 494 palavras
Câmeras de televisão focam no apresentador e no set de iluminação no estúdio da TV Acre.
Apresentadora Quésia Melo recebe ligações da população no Studio C; linha permanece aberta para rela · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 67 anos, tem o número do JAC2 salvo na agenda do telefone antigo há mais de uma década. Todo dia, por volta das 11h, ele tenta a ligação do Conjunto Universitário. Hoje, o assunto é o buraco que se abriu na esquina da Rua Rio Grande do Sul com a Avenida Getúlio Vargas, duas semanas atrás. "O prefeito passa aqui de carro e não vê", diz ele, antes mesmo de a operadora do programa atender.

No Studio C da TV Acre, Quésia Melo ajusta o fone de ouvido e sinaliza para a mesa de som. O JAC2, o jornalístico matinal de maior audiência do estado, entra no ar com a pauta clara: ouvir quem está do outro lado da linha. Não é um programa de entrevistas com autoridades sentadas em poltronas. É a boca do rádio e da TV funcionando como uma escrivaninha de reclamações pública para o Acre.

A primeira ligação cai. É dona Cida, do bairro Tição. A água faltou again na manhã desta terça-feira. "Acordei para lavar a roupa e a torneira estava seca", conta ela, ao fundo o som de panela no fogão a gás. Quésia anota o protocolo mentalmente e promete cobrar o Departamento de Água e Esgoto – o DAE – ainda durante o bloco comercial. A dinâmica é rápida. Sem enrolação.

Este espaço midiático cumpre uma função que às vezes o 156 demora a alcançar: a visibilidade imediata. Quando um problema vai para o ar na TV Acre, a resposta costuma vir mais rápido, seja por pressão popular ou por vergonha institucional. O JAC2 virou um termômetro do humor da cidade. Se o telefone toca muito, é porque há algo errado na coleta de lixo ou no trânsito da Av. Epaminondas Jácome.

Na linha 2, um estudante do IFAC reclama do atraso do ônibus 304 que liga o campus ao Centro. Quésia pergunta o número da placa, o horário exato e se o motorista parou no ponto correto. A reportagem, se fosse feita ali, estaria feita. O telespectador vira o repórter da própria vida. Quésia apenas conduz, mantém o tom civilizado e evita que a discussão vira briga de vizinho.

O programa segue por duas horas. Entre um chamado e outro, notícias do agronegócio e das prefeituras do interior entram, mas o eixo central é sempre a interação. É ali que o morador da Vila Ivonete descobre que a chuva forte derrubou a fiação no bairro da Paciência. É ali que o comerciante do Centro avisa que o calçamento foi concluído antes do prazo.

Quem quiser participar precisa ter o dedo rápido. O telefone (68) 99211-2930 costuma ficar ocupado nos primeiros minutos. Mas vale a insistência. O programa funciona como uma ponte provisória entre a necessidade do cidadão e a orelha do poder público. No fim da transmissão, Quésia repete a lista de cobranças feitas ao ar. É uma promessa de que o microfone vai voltar a ligar no dia seguinte, na mesma hora.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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