Trabalhador morre atropelado por caminhão em obras na TO-130
Vítima de 32 anos foi atingida por ré de veículo da própria equipe em rodovia no norte do Tocantins; condutor fugiu do local.
Uenis Dias Campos, 32 anos, estava no meio da poeira e do asfalto quente da TO-130. Ele fazia o serviço de espalhamento de brita, o recapeamento que deixa a estrada nova para quem trafega pelo norte do Tocantins. Era quarta-feira, 27 de maio. O dia de trabalho virou tragédia quando um caminhão-caçamba da própria equipe deu ré. O motorista não viu Uenis atrás do veículo. O impacto foi fatal. Ele não resistiu às lesões no local, na zona rural de Filadélfia.
O acidente acontece dentro do canteiro de obras, um lugar onde a confiança no colega ao lado é tudo. O caminhão pertencia à empresa Centro Norte 01, que opera sob a chancela da Construtora Nossa Senhora Aparecida (NSA). Eles são os responsáveis pela obra na região. Segundo a Polícia Militar, a equipe trabalhava. Havia brita, há ajuste de carga, há o barulho constante da máquina. O motorista manobrou. A visão traseira falhou, ou a atenção falhou. O resultado foi a morte de um trabalhador no auge da vida adulta.
O que transformou um acidente de trabalho em um crime com fuga foi o que aconteceu depois. O homem que estava no volante, em vez de socorrer, de pedir ajuda, de ligar para o SAMU ou para a patrulha, fugiu. Deixou o corpo de Uenis na pista e desapareceu. Testemunhas ouvidas pela PM descreveram a cena: a manobra brusca, o atropelo, o silêncio ensurdecedor depois e a ausência do condutor. A Polícia Militar informou o ocorrido, mas o nome do motorista não foi divulgado, e ele segue foragido. A reportagem tenta localizar a defesa dele para entender o porquê da fuga, mas até o momento, ele é um fantasma no processo.
A Construtora NSA se pronunciou rapidamente. Em nota, lamentou a morte do colaborador — um termo frio para quem perde a vida em serviço — e afirmou categoricamente que o local do acidente estava devidamente sinalizado. A empresa coloca a responsabilidade na falha humana e na atenção, mas a fuga do condutor abre um precedente grave. Se tudo estava em ordem, por que correr? Se foi apenas um erro fatal de manobra, qual o medo de ficar?
Para quem vive das obras no interior do Tocantins, o caso ecoa. A rodovia TO-130 é vital. Liga cidades, escoa produção, leva gente ao trabalho. Manter ela em dia é urgente. Mas o preço do asfalto às vezes inclui riscos que não deveriam existir. Trabalhadores de manutenção dependem de sinalização perfeita, de comunicação clara, de retrovisores ajustados e, principalmente, da prontidão para agir se algo der errado. O socorro imediato é a primeira regra da segurança do trabalho. A fuga a essa regra foi quebrada na quarta-feira.
O inquérito agora corre na delegacia local. A Polícia Militar aponta para o crime de homicídio culposo, mas a fuga incorpora elementos de abandono de vítima, o que muda a pena e a gravidade do julgamento. O caminhão fica como prova, estacionado, enquanto a família de Uenis lida com o vazio e a burocracia da perda. A NSA segue com a obra, a TO-130 segue recebendo asfalto, mas naquela curva ou naquele trecho reto onde o caminhão deu ré, há uma marca que só a justiça e o tempo podem tentar apagar.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



