Suspeitos exigiam R$ 120 mil de empresário morto em assalto em Manaus
Polícia Civil investiga morte de comerciante que teria sido alvo de assalto motivado por informação sobre valores guardados no estabelecimento.
A Polícia Civil do Amazonas investiga o latrocínio do comerciante Evilázio Alves da Silva, 60 anos, ocorrido na tarde desta quinta-feira (4) no estabelecimento da vítima, localizado no bairro São José Operário, Zona Leste de Manaus. Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a motivação para o crime teria sido uma informação não confirmada de que a vítima guardava R$ 120 mil no local.
O inquérito policial, que tramita em sigilo na DEHS, aponta que um grupo de criminosos planejou a ação específica após receber a informação sobre a suposta existência do dinheiro. Imagens de circuito interno de segurança captaram o momento da chegada dos suspeitos ao mercadinho. As gravações, que já integram o acervo probatório do inquérito, mostram a entrada dos agentes e a dinâmica da execução do crime, revelando a surpresa dos presentes e a rapidez da ação.
Conforme narrado no Boletim de Ocorrência registrado pela delegacia, os suspeitos invadiram o estabelecimento e renderam as pessoas que se encontravam no interior, dentre elas clientes e funcionários. O grupo fez reféns para garantir o controle da situação e impedir possíveis reações de terceiros ou chamadas de emergência. Durante a abordagem, os criminosos submeteram Evilázio a agressões físicas e verbais, exigindo a entrega do numerário.
De acordo com o delegado Ricardo Cunha, a insistência na tortura física para obter a localização do dinheiro foi a causa determinante da morte do empresário. A polícia descartou, até o momento, a hipótese de troca de tiros ou reação armada por parte da vítima. "Durante a ação, os suspeitos exigiam uma quantia de R$ 120 mil, informação que posteriormente descobrimos ter sido repassada ao grupo criminoso e que motivou a prática do delito", detalhou o delegado durante coletiva de imprensa.
A equipe de investigação trabalha agora no cruzamento de dados para identificar a origem da informação que levou o grupo ao endereço. A linha principal de investigação considera a possibilidade de participação de alguém próximo à vítima ou que tivesse acesso à rotina financeira do estabelecimento. Especialistas em perícia forense realizaram o levantamento de vestígios no local, incluindo a coleta de impressões digitais e análise de armas brancas, se utilizadas.
O crime de latrocínio é qualificado pelo Código Penal (Art. 157, § 3º, segunda parte) quando a morte da vítima decorre de roubo. A pena para este tipo delito varia de 20 a 30 anos de reclusão, sem prejuízo das sanções pelos crimes correlatos de cárcere privado e tortura cometidos contra as outras vítimas feitas reféns. A investigação segue para a identificação e prisão dos autores.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



