Mochakk e line-up da música eletrônica tomam o Mercado de Origem em Manaus
Festa reúne nomes como Bess Maze e Madame C para misturar house e identidade brasileira em noite de feriado no Centro.
O grumbo grave do bass faz o peito estremecer antes mesmo de se ver a pista. No Mercado de Origem da Amazônia, a estrutura de ferro que durante o dia guarda peixes e artesanato vai vibrar com frequências eletrônicas na próxima sexta-feira, 3 de junho. O ar úmido de Manaus, característico que nem um abraço apertado, vai misturar-se à fumaça das máquinas e ao suor da dança na festa "Made in Brasil".
Não é apenas mais uma rave em um galpão abandonado. O cenário é o patrimônio da cidade, e o som é o de quem quer marcar território. A atração principal é Mochakk, o DJ de Sorocaba que viralizou no celular de todo mundo e escalou o mundo tocando em festivais gigantes como Tomorrowland e Coachella. Mas se ele é o gancho, o corpo do evento é um manifesto da cena local e nacional.
Pedro Luiz Nunes Maia, o Mochakk, traz a cara do Brasil para fora, mas a festa aqui dentro propõe o caminho inverso: valorizar o que é nosso dentro da batida. "A ideia é valorizar a identidade brasileira dentro da cena eletrônica", explica o produtor Bess Maze, um dos nomes responsáveis pela curadoria da noite. Ele fala de um momento de ascensão do gênero, onde não precisamos mais importar referências prontas de Berlim ou Londres; podemos criar o nosso próprio groove.
O line-up é um quebra-cabeça sonoro promissor. Nomes como Meca B2B Fancy Inc, Nocapz, Solarce Brothers, Looa B2B Dkode, Tixa e Madame C dividem os decks. É uma mistura de house e groove, gêneros que pedem corpo e movimento, mas com aquele tempero que só a produção feita aqui tem. É a tecnologia encontrando o jeito de ser do Norte.
O Mercado de Origem, no Centro histórico, deixa de ser um ponto de passagem turística para virar o coração pulsante da noite. É o contraste que define a cultura contemporânea na Amazônia: o antigo abrigando o novo, a floresta ecoando batidas sintéticas.
A festa começa às 23h e segue até o sol raiar no Rio Negro, já no feriado. Quem quiser fazer parte da constelação sonora precisa ir à Rua dos Barés. A promessa é de não ficar parado.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



