Moradores de Sena Madureira temem deslizamentos após queda de ponte no Acre
MP-AC acionou Defesa Civil para vistoriar áreas de risco próximas à ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou na noite de sexta-feira (5).
O estrondo ecoou pelas margens do Rio Iaco e acordou a vizinhança. Era noite de sexta-feira (5), por volta das 22h, em Sena Madureira, no interior do Acre. A ponte Frei Paolino Baldassari, que ligava as duas margens, não aguentou. Ela desabou. Quem estava dormindo foi levado ao susto, mas quem estava acordado — ou foi acordado pelo barulho — correu para a janela e viu mais do que madeira e concreto na água. Viu o perigo mudar de lugar.
O medo agora não é só a via quebrada. É o chão sob os pés. A região onde a ponte caía é marcada pelo fenômeno das terras caídas. É um termo local, mas a explicação é física: as encostas do rio, feitas de solo sedimentar, ficam saturadas com a água e escorregam para o leito, devorando tudo que está na frente. Com a queda da ponte, a estrutura do solo naquele ponto específico perdeu um suporte. Moradores das casas vizinhas relatam que a terra parece mais mole, que rachaduras surgiram nos muros de quintal e que o som de galhas caindo aumentou.
Uma equipe do Ministério Público do Acre (MP-AC) não perdeu tempo. No sábado (6), promotores estiveram no local para conferir de perto o estrago. A conclusão foi técnica, mas o recado para a prefeitura foi de emergência. O MP-AC acionou a Defesa Civil Municipal. O pedido é claro: vistoria casa a casa. É preciso mapear onde o risco é alto e onde a remoção das famílias precisa acontecer imediatamente. Não é uma questão de escolha, é de sobrevivência.
Até a tarde deste sábado, nenhuma família tinha deixado a residência. As equipes técnicas ainda estavam levantando os dados, cruzando informações sobre a geologia local com a localização das moradias. É um jogo de espera tenso. Do outro lado do rio, o trânsito está parado, e o fluxo de quem precisa cruzar depende de soluções improvisadas.
É importante lembrar que o alerta sobre a ponte já existia. Desde a quinta-feira (4), a prefeitura tinha interditado a travessia. Placas e barreiras avisavam do risco de desabamento. Mas, como muitas vezes acontece, nem todos respeitaram o bloqueio. Quatro pessoas decidiram atravessar na hora errada, no momento exato em que a estrutura cedeu de vez. Elas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades de saúde da cidade. Um lembrete trágico de que as sinalizações de risco estão ali para serem cumpridas.
Enquanto as equipes da Defesa Civil terminam o levantamento, a orientação para a população é de vigilância. Moradores que notarem qualquer movimento anormal de terra, abertura de fissuras no chão ou barulhos estranhos vindos da encosta devem afastar-se imediatamente. Em caso de emergência, o contato é com a Defesa Civil de Sena Madureira ou pelo telefone 193 do Corpo de Bombeiros. A segurança vem primeiro, mesmo que custe deixar a casa para trás por alguns dias.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



