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Semana da Marinha em Belém oferece visitas gratuitas a navios na Estação das Docas

Marinha abre visitação à Corveta Solimões e navio de pesquisa na Estação das Docas até este domingo; fila começa cedo na orla de Belém.

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Ananda Rocha
Pará · AM
06 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 665 palavras
Fila de pessoas aguarda para embarcar em navio da Marinha na Estação das Docas, ao fundo a baía do Guajará.
Marinha abre visitação à Corveta Solimões e navio de pesquisa na Estação das Docas até este domingo; · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Silva, 45 anos, acordou às 8h neste sábado (6) com uma missão diferente da rotina de pedreiro. Ele pegou o ônibus 403 no bairro da Sacramenta, desceu na Estação das Docas e entrou na fila com o neto Lucas, de 7 anos, que segurava um binóculo de plástico. O objetivo era subir na Corveta Solimões, o navio-museu que está atracado no Cais 1 para a Semana da Marinha. "Ele nunca tinha visto um navio de guerra de perto. Ficou bom pro menino ver a força da gente, né?", conta Raimundo, enquanto Lucas puxa a barra da sua camisa, impaciente com o sol da manhã.

Até o final deste domingo (7), a Marinha do Brasil abriu os conveses de duas embarcações para visitação gratuita na orla de Belém. Além da corveta, o público pode conhecer o Aviso Hidroceanográfico Rio Tocantins, uma embarcação de pesquisa que mapeia o fundo dos rios da Amazônia. Não é preciso agendamento nem retirar senha: é chegar na Estação das Docas, entre 10h e 18h, e aguardar a vez. A ação celebra o Dia da Marinha e relembram a Batalha Naval do Riachuelo, mas na prática virou o programa de fim de semana para dezenas de famílias que ocuparam o Boulevard Castilhos França.

Dentro da Corveta Solimões, o ar condicionado compete com o calor externo de 32 graus. O marinheiro Paulo Henrique, de 21 anos, explica o funcionamento do radar para um grupo de estudantes do Colégio Gentil Bittencourt. Ele aponta o canhão de 76mm no convés de proa. "Muita gente acha que é só passear, mas a gente mostra o trabalho diário de patrulha nos rios, como o combate ao contrabando", diz o recruta, vestido com o uniforme branco impecável. Nos fundos da embarcação, o motor diesel impressiona pelo tamanho. O cheiro característico de óleo combustível misturado com a maresia toma o espaço apertado da casa de máquinas.

A vista do convés superior revela outra cara de Belém. Dali, dá para ver a Feira do Açaí lá embaixo, o Mercado Ver-o-Peso e o movimento das balsas que cruzam a baía do Guajará. "A cidade é bonita de cima do navio", comenta a dona de casa Maria Helena, 54 anos, enquanto tira uma selfie com o mastro da bandeira ao fundo. Ela veio de Mosqueiro usando a barca Expresso II apenas para a visita. "Levei três horas de viagem, mas não perco essa chance. Minha família tem história com a Marinha", diz.

Do outro lado do cais, o Aviso Rio Tocantins atrai um público diferente. Ali, o foco é a ciência. A bióloga Ana Paula Souza, 29, estudava os painéis de instrumentação na ponte de comando. "Queria entender como eles fazem o mapeamento batimétrico. Eu trabalho com ictiofauna e esses dados são cruciais para saber onde estão os cardumes", explica ela, enquanto anota detalhes técnicos em um caderno pequeno. O navio realiza pesquisas hidrográficas que garantem a segurança da navegação comercial na região amazônica.

A programação também incluiu a Corrida da Marinha na manhã deste domingo, com largada às 6h, e apresentações da Banda de Música do 4º Distrito Naval. Mas a fila para embarcar continua sendo o principal atrativo. A estimativa da Capitania dos Portos do Pará é que cerca de 15 mil pessoas passem pelo local até o encerramento da programação, no domingo à noite.

Para quem ainda pretende ir, vale levar um protetor solar e garrafa de água — não há venda de bebidas dentro dos navios. O estacionamento na Estação das Docas é pago e costuma lotar antes das 11h; a dica é deixar o carro no estacionamento do Ver-o-Peso e descer a pé pela avenida. O acesso aos navios é permitido a pessoas com mobilidade reduzida mediante auxílio da tripulação, mas é bom avisar na fila.

A visitação gratuita encerra neste domingo às 18h. Dúvidas sobre acessibilidade ou programação podem ser tiradas diretamente com os marinheiros na bilheteria da Estação das Docas ou pelo telefone da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, no número (91) 3216-7100.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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