Motorista é preso após atropelamento com três mortes em Belém
Polícia Civil autuou homem de 20 anos por homicídio culposo e lesão dolosa na Avenida Augusto Montenegro.
A Polícia Militar prendeu na madrugada desta sexta-feira (29) um homem de 20 anos logo após um atropelamento que resultou na morte de três pessoas na Avenida Augusto Montenegro, bairro do Val-de-Cães, em Belém. O condutor, identificado pelas iniciais P.H.F.S., foi encaminhado à Delegacia de Homicídios, onde a Polícia Civil lavrou o auto de prisão em flagrante pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal dolosa.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na delegacia, a classificação de "dolosa" para as lesões corporais decorre da avaliação da dinâmica do evento pela autoridade policial. No Direito Penal de trânsito, a distinção é central: o homicídio culposo refere-se à falta de cuidado objetivo (imprudência, negligência ou imperícia), enquanto a lesão corporal dolosa sugere que o agente assumiu o risco de causar o dano (dolo eventual). Essa tipificação inicial pode sofrer alterações após o peritame conclusivo e a análise do Ministério Público.
As vítimas fatais foram identificadas como Elder Martins Santos, Ruan Garcia Batista e Jonatan Mateus Maciel. Duas delas vieram a óbito no local do impacto, enquanto a terceira foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos traumas. Outros três ocupantes do grupo, que transitava pela via, ficaram feridos e foram internados em hospitais da rede pública e privada da capital. Os nomes das vítimas em tratamento não foram divulgados, respeitando-se o sigilo médico, mas seus quadros clínicos são monitorados pela polícia para eventual atualização das penas caso haja agravamento do estado de saúde.
A abordagem policial ocorreu logo após a colisão. Segundo relatos da guarnição da PM, ao ser detido, P.H.F.S. vestia uma camiseta da torcida organizada Terror Bicolor. A associação está extinta por determinação da 1ª Vara da Fazenda da Comarca de Belém desde 2007, decisão que proíbe a exibição pública de símbolos ou materiais do grupo. Não há indicação preliminar de que a filiação à torcida tenha motivado o crime, mas o objeto foi apreendido e integrará o inquérito como elemento de prova circunstancial.
O Instituto de Criminalística (IC) realizou o levantamento de local, identificando marcas de pneus e os pontos de impacto. A perícia também averiguará a presença de vestígios de ingestão de álcool ou psicotrópicos no condutor, procedimento padrão em casos com fatalidades. O veículo envolvido, um modelo popular, foi recolhido para exames de mecânica e frenagem, essenciais para determinar a velocidade no momento do choque.
Procurada pela reportagem para se pronunciar sobre as acusações, a defesa do condutor não retornou os contatos até a publicação deste texto. O advogado de P.H.F.S. deverá ser intimado a acompanhar a audiência de custódia, etapa judicial obrigatória para análise da legalidade da prisão e conversão em preventiva, se for o caso.
O inquérito policial, que tramitará sob sigilo na 1ª Delegacia de Homicídios, tem prazo de 30 dias para conclusão preliminar, prorrogáveis por igual período. Após o laudo do IC e o depoimento das testemunhas, os autos seguirão para o Ministério Público do Pará (MPPA), que oferecerá denúncia ou requisitará diligências. O caso é tratado como de repercussão pública devido ao número de vítimas e ao local do ocorrido.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



