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Nortícia PolíticaCrise no Dsei

MPF pede urgência na Justiça para restabelecer transporte aéreo de saúde indígena no Acre

Ação visa evitar colapso no Alto Rio Juruá, onde suspensão de voos deixou aldeias isoladas e comprometeu remoções em Cruzeiro do Sul.

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Eliana Castro
Acre · AM
30 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 551 palavras
Avião pequeno pousa em pista de terra na floresta do Acre.
Ação visa evitar colapso no Alto Rio Juruá, onde suspensão de voos deixou aldeias isoladas e comprom · Foto: Redação Nortícia

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na última sexta-feira (30) uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência para obrigar a União a restabelecer o transporte aéreo destinado ao atendimento de saúde indígena no Acre. A ação visa conter o colapso sanitário no Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Juruá, onde a suspensão do serviço deixa dezenas de aldeias sem acesso a remoções médicas de emergência.

A situação afeta diretamente 69 comunidades na região de Cruzeiro do Sul, no interior do estado. Segundo a procuradoria, a interrupção dos voos inviabiliza o transporte de pacientes em estado grave para hospitais de referência, criando um cenário de "grave desassistência" que viola direitos fundamentais da população indígena. O tempo de deslocamento por via fluvial, única alternativa na ausência de aeronaves, pode ultrapassar 12 horas, risco fatal para casos de malária, complicações obstétricas e trauma.

O problema decorre do desligamento do contrato de transporte aéreo pela Funasa/Ministério da Saúde. A indicação técnica é a falta de empenho orçamentário ou de renovação administrativa, o que paralisou a frota que atendia a região. No Alto Rio Juruá, a geografia de floresta alagada torna o modal aéreo o único meio seguro e rápido durante grande parte do ano, especialmente na estação chuvosa.

Na ação, o MPF argumenta que a União não pode transferir a responsabilidade pela Atenção Básica Indígena para estados ou municípios, tampouco deixar a população desamparada em virtude de falhas administrativas. A petição solicita que a Justiça Federal determine o imediato restabelecimento dos voos e a apresentação de um cronograma de regularização da logística de transporte em até 30 dias.

A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) se posicionou sobre o caso, afirmando que os resgates estaduais continuam sendo feitos quando há acionamento. A pasta, contudo, frisou que a gestão da saúde indígena, incluindo a logística de transporte nas aldeias, é competência constitucional do Dsei e do governo federal. O estado atua apenas em situações de apoio humanitário, sem substituir o órgão federal.

O Dsei Alto Rio Juruá não se manifestou até a publicação desta reportagem. A ausência de explicações da coordenação regional sobre o motivo exato da suspensão e sobre o plano de contingência gerou insegurança entre lideranças locais, que relatam à procuradoria o aumento de óbitos evitáveis nos últimos 60 dias.

A Justiça Federal em Rio Branco analisa o pedido de liminar. Se acolhido, a União será compelida a retomar as aeronaves em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A decisão terá precedência sobre futuras licitações, garantindo a continuidade do serviço enquanto não houver novo contrato firmado.

O Dsei Alto Rio Juruá abrange uma área territorial extensa, superior a 50 mil km², e atende uma população aproximada de 15 mil indígenas de povos como Kaxinawá, Ashaninka, Katukina e Huni Kuin. A infraestrutura de saúde local conta com apenas quatro polos-base, todos dependentes da ponte aérea para abastecimento de medicamentos e transporte de profissionais.

A disputa judicial no Acre expõe uma fragilidade estrutural da saúde indígena na Amazônia. A dependência de contratos terceirizados de transporte, sem frota própria ou reserva técnica, tem gerado intermitências no atendimento em diversos estados. O desfecho desta ação pode servir de jurisprudência para obrigar a União a criar uma política permanente de mobilidade aérea para os distritos sanitários da região Norte.

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◆ Repórter · Nortícia Política

Eliana Castro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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