ed. #023
nortıcia
nortícia · cidades · amazonas
Nortícia CidadesTrânsito aéreo

Neblina interrompe voos no Aeroporto Eduardo Gomes e desvia passageiros em Manaus

Forte nevoeiro na manhã desta segunda impediu pousos e decolagens na capital; passageiros reportam falta de informação.

a
Ananda Rocha
Amazonas · AM
01 de jun. de 2026
publicado
4 min
de leitura · 801 palavras
Pista do Aeroporto Eduardo Gomes coberta por neblina densa em Manaus.
Forte nevoeiro na manhã desta segunda impediu pousos e decolagens na capital; passageiros reportam f · Foto: Redação Nortícia

Edvaldo Pantoja, 48 anos, guardou o passaporte no bolso da calça jeans às 2h45 desta segunda-feira (1º). Ele estava pronto para embarcar para o Panamá, onde pegaria uma conexão para Orlando, nos Estados Unidos, a trabalho. Mas até agora, às 10h da manhã, ele continua sentado no banco plástico do saguão do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, zona Norte de Manaus. Lá fora, uma densa cortina de neblina engoliu a pista de pouso. No painel digital, o voo 276 da Copa Airlines acendeu a luz vermelha de "Cancelado" por duas horas, antes de mudar para um horário incerto na madrugada de terça. "A gente lida com cheiro de muriçoca, calor e chuva, mas essa neblina aí ninguém segura. O piloto não vê nada, e nós ficamos presos no limbo", conta Edvaldo, enquanto reorganiza a mala de mão cheia de documentos e presentes.

O problema não foi apenas o atraso de Edvaldo. Uma massa de ar úmido e fria que baixou sobre Manaus na virada da noite complicou a vida da torre de controle. Com a visibilidade horizontal abaixo dos mínimos exigidos, dois voos internacionais que vinham para a capital não conseguiram fazer a aproximação. Eles foram desviados para aeroportos alternativos — o que na prática significa passageiros dormindo em cidades vizinhas ou dando voltas no ar até o tempo melhorar. Além disso, duas decolagens foram suspensas no solo, deixando aeronaves paradas com os motores desligados e passageiros a bordo aguardando liberação.

A assessoria do aeroporto Eduardo Gomes confirmou que as alterações seguem estritamente os manuais de segurança da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Quando o teto de nuvens baixa demais, o sistema de pouso por instrumento tem limites que variam conforme a tecnologia de cada aeronave. "A decisão de desviar ou suspender é da companhia aérea em conjunto com o controle de tráfego, visando a segurança operacional", informou a administração do terminal em nota oficial. Os voos que ficaram pelo caminho foram reprogramados para o final desta segunda e para a terça-feira (2), gerando um efeito cascata na malha aérea da manhã.

No balcão de atendimento da empresa aérea, a fila dobrou de tamanho. A agente de viagens Clara Menezes, 33 anos, está há uma hora tentando remarcar a passagem de um grupo de seis turistas franceses que vinham de Paris e deveriam pousar em Manaus para seguir para um cruzeiro no Rio Negro. "Eles não entendem o porquê de não ter 'fog' aqui. Perderam o barco que sai às 14h. A empresa está oferecendo hotel, mas a logística de reembarcar na marra é estressante para todo mundo", conta Clara, cansada, enquanto aponta para os mapas espalhados no balcão. Ela ressalta que a falta de informação inicial foi o pior momento. "Ficamos uma hora sem saber se o avião ia cair em Belém ou em Brasília."

Quem trabalha no aeroporto viu a confusão se instalar antes mesmo dos passageiros. Paulo Henrique, 39 anos, é auxiliar de services e chegou ao trabalho às 4h. Ele conta que a neblina era tão forte que não dava para ver o fim da pista da posição onde ele estava. "A iluminação da pista estava acesa, mas parecia um poste num fantasma. O movimento de caminhões de carga parou, os refeitórios encheram e os funcionários das companhias ficaram no celular avisando parentes que iam atrasar", relata Paulo. Para ele, é o inverno amazônico cobrando seu preço. "É época da 'fumaça', agora é ter paciência e café forte."

Esse tipo de interrupção não é raro em Manaus, especialmente no início do semestre, quando a umidade do rio se encontra com frentes frias que descem do sul. Mas o impacto internacional deixa a situação mais delicada, envolvendo acordos aeronáuticos entre países. A administração do aeroporto reforçou que a prioridade é o desembarque seguro e, em seguida, a reorganização da agenda. O terminal funcionou com capacidade reduzida das 6h às 9h, horário em que as condições meteorológicas começaram a melhorar levemente.

Para quem ainda precisa embarcar ou buscar parentes hoje, a recomendação é checar o status antes de sair de casa. O site do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e o aplicativo FlightAware são as fontes mais rápidas. Passageiros com voos cancelados ou atrasados por mais de 4 horas têm direito a assistência material (comunicação, alimentação e hospedagem, se aplicável) conforme o código da Anac. As reclamações sobre o serviço da companhia aérea podem ser feitas diretamente na ouvidoria da Anac pelo site www.anac.gov.br ou pelo telefone 166.

Edvaldo, enfim, conseguiu o novo cartão de embarque. Ele vai sair de Manaus apenas às 22h30. Vai perder a reunião em Orlando, mas garante que o show vai continuar. "Vou aproveitar para almoçar um bom bacalhoado no centro e voltar aqui à noite. O que não tem remédio, remediado está", resume, ajustando a alça da mala e saindo em direção ao táxi.

a
◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cidades

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cidades no Norte. Sem agenda, sem partido.