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Norte lidera violência letal contra mulher, aponta estudo

Roraima e Amazonas têm as maiores taxas do país, enquanto assassinatos fora de casa caem. Números mostram estagnação na proteção dentro do lar.

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Curadoria Nortícia
Manaus, AM
26 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 635 palavras
Mapa do Brasil destaca Norte em vermelho com altas taxas
Roraima e Amazonas têm as maiores taxas do país, enquanto assassinatos fora de casa caem. Números mo · Foto: Redação Nortícia

O Atlas da Violência 2026, lançado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), traz à tona um panorama que exige atenção imediata das autoridades da região Norte. O levantamento, que analisa os dados de 2014 a 2024, revela que, embora o Brasil tenha registrado uma queda de 27,7% no número de homicídios de mulheres no período, o Norte continua sendo a região mais letal para o público feminino. No acumulado da década, o país contabilizou 46.336 casos de assassinatos de mulheres, um número que, apesar da redução recente, ainda assombra a estatística nacional.

Duas realidades diferentes

A análise detalhada dos dados expõe uma dicotomia crucial na dinâmica da violência contra a mulher. A redução observada no número total de homicídios não é uniforme. Ela decorre, quase exclusivamente, da diminuição drástica dos assassinatos cometidos fora do ambiente doméstico. A taxa de homicídios neste contexto caiu de 3,47 para 2,17 por 100 mil mulheres. É um indicativo de que políticas de segurança pública tradicionais podem ter tido êxito em reduzir a violência "nas ruas".

Contudo, o cenário muda de figura quando o foco é o ambiente familiar. O índice de mulheres assassinadas dentro de casa manteve-se relativamente estagnado, oscilando apenas de 1,25 para 1,18 por grupo de 100 mil. Para especialistas, essa estabilidade é um sinal de alerta vermelho. Ela demonstra que a violência doméstica não foi impactada pelas medidas de segurança geral. O feminicídio continua acontecendo na mesma proporção de uma década atrás, mostrando que a casa deixou de ser um refúgio para se tornar o local de maior perigo.

O destaque negativo do Norte

Ao recortar os dados por estados, a gravidade da situação na região Amazônica fica explícita. Roraima e Amazonas apresentaram as maiores taxas de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes em todo o país, com 21,2% e 13,6%, respectivamente. Esses números são alarmantes e colocam os estados do Norte na contramão de tendências observadas em outras partes do Brasil.

Enquanto isso, estados como Sergipe e Goiás celebraram as maiores reduções nas taxas, com quedas de 67,2% e 62,5%. A disparidade entre o Norte e esses estados sugere que as estratégias adotadas no Centro-Sul — que podem incluir melhores redes de proteção e judiciário mais ágil — não estão sendo replicadas ou não surtem o mesmo efeito na realidade amazônica.

Barreiras na Amazônia

É preciso considerar as especificidades da região para entender por que esses índices são tão altos. A vastidão do território amazônico, aliada à dificuldade de logística e à precariedade dos serviços em municípios do interior, cria barreiras enormes para a denúncia e a proteção da mulher. Em muitas localidades, a delegacia mais próxima está a horas de distância, o que inibe a busca por ajuda e perpetua o ciclo de violência.

Além disso, a estabilidade da taxa de feminicídios sugere que a Lei Maria da Penha enfrenta dificuldades operacionais de aplicação efetiva na ponta. A falta de estruturas de acolhimento e a morosidade na concessão de medidas protetivas são falhas crônicas que precisam ser endereçadas pelos governos estaduais.

O caminho a seguir

O Atlas da Violência 2026 deixa claro que o modelo atual de combate à violência contra a mulher precisa ser revisto, especialmente no Norte. Não se pode tratar o feminicídio como um crime comum; ele exige prevenção específica. É necessário investir em educação e em uma rede de atendimento que seja acessível para todas as mulheres, independente de onde elas moram na Amazônia.

Enquanto os números de assassinatos nas ruas caem, a luta pela vida dentro das casas amazônicas continua perdendo força. A redução da letalidade feminina na região só ocorrerá quando o poder público garantir que a lei proteja, de fato, quem mais precisa.

Com base em Agência Brasil.

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