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Obras no Conjunto Esperança paralisam faixa e geram poeira em Rio Branco

Moradores reclamam de atraso de três meses na recapeação e falta de sinalização na Rua 5.

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Ananda Rocha
Acre · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 611 palavras
Obra de pavimentação inacabada expõe terra batida em rua residencial de Rio Branco.
Moradores reclamam de atraso de três meses na recapeação e falta de sinalização na Rua 5. · Foto: Redação Nortícia

Seu Joaquim Pereira, 56 anos, varre a calçada da Rua 5 no Conjunto Esperança duas vezes por dia. Uma pela manhã, antes de abrir a marcenaria no fundo do quintal, e outra no fim da tarde, quando a poeira vermelha da obra inacabada já cobriu a planta de samambaia e o banco de concreto. Há três meses, a rua dele virou um corredor de terra batida sem saída.

A obra de drenagem prometida pela Prefeitura de Rio Branco deveria ter entregue o asfalto em 45 dias. O cronograma original, afixado no palanque de madeira no final da quadra, previa o fim dos trabalhos para 15 de abril. Estamos em 19 de junho, e o que se vê são canteiros abertos, tubos de concreto expostos ao sol e uma poeira fina que entra pelas frestas das janelas.

"A gente acordou ontem com a casa toda branca de pó. É terra, não é pó de rua, é terra de barranco", reclama Joaquim, enquanto mostra a camisa de força que estava pendurada no varal. "Perdi a conta de quantas vezes lavei o chão. O secretário precisa vir dormir aqui um dia para ver o que é dormir com o clima seco e a obra soltando terra".

O problema não é apenas estético. Na hora do rush, das 17h às 19h, a Rua 5 vira um gargalo para o trânsito da zona Leste. A linha 302, que liga o conjunto ao Centro, precisa fazer uma manobra perigosa no entroncamento com a Avenida Epaminondas Jacome. Dona Cida Vasconcelos, 49 anos, pega o ônibus todo dia para trabalhar no hospital. Ela conta que já viu três quase-acidentes na última semana.

"O motorista sai correndo de lá, porque senão bate. Não tem sinalização, não tem lombada, não tem nada. É um sorteio ver quem passa primeiro", relata Cida, que já perdeu o ponto três vezes por causa do atraso causado pelo desvio. A preocupação maior é com os alunos da Escola Municipal Raimundo Nonato, que fica a cem metros dos buracos. No recreio, a nuvem de poeira invade o pátio coberto.

A Secretaria de Obras de Rio Branco (Semob) informou, por meio da assessoria, que o atraso ocorreu devido à "necessidade de substituição da tubulação de concreto por PVC, adequando o projeto às normas ambientais atuais". A nota diz que a obra tem 70% de execução e que a pavimentação deve começar na próxima semana. A Prefeitura não informou se haverá ressarcimento ou multa à empresa Construtora Vale Verde, responsável pelo contrato.

Moradores do quarteirão organizaram um abaixo-assinado com 80 assinaturas na terça-feira e entregaram na subprefeitura da zona Leste. Eles cobram também uma limpeza diária das vias, medida que consta no contrato original mas que não é feita desde abril. A água do caminhão-pipa que apareceu na semana passada serviu apenas para umedecer a entrada da obra, deixando a restante da rua seca.

"Parou de vender pão de queijo porque ninguém quer sentar na poeira", conta dona Benta, dona da mercearia esquina que viu o faturamento cair 40% nos últimos meses. O movimento de clientes só aumenta quando chove, quando a lama vira o único obstáculo, bloqueando o acesso de carros e motos.

O próximo passo para quem precisa pressionar é fiscalizar. A obra tem o número de contrato 045/2025. Reclamações sobre a poeira excessiva e o descumprimento de prazo podem ser feitas diretamente no aplicativo Rio Branco Digital, anexando fotos, ou pelo Disque-Denúncia da Prefeitura no número 156. O protocolo, uma vez aberto, exige resposta da administração em até cinco dias úteis. Enquanto isso, Seu Joaquim continua guardando o vassoura, esperando o dia em que a Rua 5 volta a ser apenas rua, e não canteiro.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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