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Roraima tem a menor taxa de analfabetismo do Norte, aponta IBGE

Estado registra 3,4% de analfabetos, ficando à frente de Amazonas e Amapá; dados mostram que idosos compõem a maioria desse grupo.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
19 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 540 palavras
Mulher idosa estuda caderno em sala de aula de alfabetização em Boa Vista.
Estado registra 3,4% de analfabetos, ficando à frente de Amazonas e Amapá; dados mostram que idosos · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca Chagas, 72 anos, toma café da manhã na varanda de casa no bairro Mecejana, na zona Oeste de Boa Vista. Ela pede para a neta ler a bula do remédio controlado que toma para a pressão. Francisca é uma das 10 mil pessoas em Roraima com 60 anos ou mais que nunca aprenderam a ler e escrever. Ela faz parte de uma estatística que marca a história do estado, mas também mostra o tamanho do desafio que ainda resta.

Roraima tem hoje a menor taxa de analfabetismo de toda a Região Norte. Os dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), apontam que 3,4% da população com 15 anos ou mais não sabe ler ou escrever. Isso representa cerca de 16 mil pessoas em todo o território. É o menor índice da série histórica para o estado e a colocação mais privilegiada entre os vizinhos da Amazônia Legal.

Se a gente olhar para o mapa, Roraima fica na frente. O Amazonas aparece com 4,3% de analfabetismo e o Amapá com 4,5%. O Acre registra a taxa mais alta da região, chegando a 8,9%. Esses números foram reponderados a partir dos resultados do Censo Demográfico de 2022, o que dá mais precisão ao retrato atual do país.

Mas por trás da comemoração pela liderança regional, há uma realidade específica: o analfabetismo em Roraima tem idade e cor. A pesquisa revela que 62,5% dos 16 mil analfabetos são idosos com 60 anos ou mais. Isso significa que o esforço das últimas décadas para universalizar o ensino infantil e fundamental deu certo, mas deixou para trás uma geração que não teve acesso à escola nos anos 1950 e 1960, em um tempo em que Roraima ainda era um território federal com infraestrutura precária.

A evolução é visível se a gente compara com o passado. Em 2016, a taxa de analfabetismo em Roraima era de 6%, com 21 mil pessoas nessa condição. Em menos de dez anos, o estado reduziu pela metade o número absoluto de analfabetos e quase dobrou a capacidade de leitura e escrita da população adulta. Essa queda está ligada diretamente à expansão da rede municipal e estadual no interior, levando escolas para as comunidades indígenas e para os lavradores dos municípios de Caracaraí e Cantá.

Para dona Francisca e milhares de outros idosos, a porta de entrada ainda é a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O desafio agora não é mais construir escolas, mas buscar quem ficou fora dela. A Secretaria de Estado de Educação (SEED) informou que mantém 120 polos de EJA ativos, mas reconhece que a procura entre a população acima de 60 anos ainda é baixa em razão de dificuldades de locomoção e visão.

Quem tem um parente ou vizinho nessa situação pode matricular-se a qualquer momento do ano. Os cursos da EJA são gratuitos e oferecem material didático específico para quem já tem vivência, mas precisa assinar o próprio nome. Em Boa Vista, as matrículas podem ser feitas diretamente nas escolas estaduais que oferecem o turno noturno, bastando levar RG e CPF. O atendimento também é feito pela Gerência de Educação de Jovens e Adultos, na avenida Major Williams, próximo ao estádio Flamarion Vasconcelos.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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