Polícia Civil prende 19 suspeitos de integrar facção Bonde dos 13 no Acre
Ação integrada com Ceará e Santa Catarina cumpriu 42 mandados em Rio Branco, Brasiléia e Epitaciolândia para desarticular arrecadação e logística do grupo.
A Polícia Civil do Acre, por intermédio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a Operação Convergência Nacional. A ação resultou na prisão de 19 pessoas suspeitas de integrar a facção criminosa Bonde dos 13. Os mandados judiciais foram cumpridos simultaneamente em Rio Branco, Epitaciolândia e Brasiléia, no interior do estado, com ações coordenadas também nos territórios do Ceará e de Santa Catarina.
Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre (MP-AC), a operação buscou desarticular a estrutura de comando e logística da organização criminosa na região. A Justiça expediu 42 ordens judiciais, divididas igualmente entre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. O objetivo central era atingir figuras que ocupavam cargos de liderança e responsáveis pela gestão financeira do grupo.
Segundo o inquérito policial que fundamentou as prisões, as investigações tiveram início a partir da análise forense de dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos em diligências anteriores. O cruzamento de informações telemáticas permitiu aos peritos mapear a hierarquia interna da facção, identificando fluxos financeiros e rotas utilizadas para o tráfico de entorpecentes. O material técnico aponta que a organização mantinha um sistema rígido de cobrança de contribuições internas de seus membros.
Das 19 prisões efetuadas, 18 ocorreram na capital Rio Branco e uma em Epitaciolândia, na divisa com a Bolívia. Dois suspeitos foram presos em flagrante no momento do cumprimento das ordens judiciais. Os alvos da operação são investigados pelos crimes de organização criminosa, tráfico ilícito de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Entre as funções atribuídas aos detidos estão a articulação de atividades criminosas, o apoio logístico ao transporte de drogas e a arrecadação de valores para o caixa da facção.
As diligências contaram com o apoio do Batalhão de Polícia Militar de Choque para garantir a segurança das equipes da Draco, dada a classificação de periculosidade dos alvos. Durante as buscas, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e valores em espécie que deverão ser periciados. A atuação integrada com outros estados visa cortar o apoio externo e as conexões nacionais da facção que opera no Acre.
Após as prisões, os investigados foram conduzidos à Central de Flagrantes e Prisões em Flagrante de Rio Branco para a identificação e registro dos procedimentos. Eles passarão por audiência de custódia, ocasião em que o juiz analisará a legalidade da detenção e a necessidade da manutenção da prisão preventiva. A defesa dos investigados poderá ser constituída para apresentar requerimento de liberdade ou resposta à acusação.
O inquérito policial tramita sob sigilo na 2ª Vara Criminal de Rio Branco. O Ministério Público do Acre deverá receber o relatório final da polícia nos próximos dias para decidir sobre o oferecimento da denúncia criminal. As investigações continuam para localizar possíveis foragidos e apurar a participação de outros integrantes da rede criminosa.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



