PF cumpre mandados no Pará em operação contra tráfico internacional e lavagem de dinheiro
Ação integrada em cinco estados bloqueou R$ 30 milhões em contas e investiga uso de porto do RN para envio de drogas.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (2) uma série de diligências em cinco estados, incluindo o Pará, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa acusada de tráfico internacional de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão preventiva, determinados pela Justiça Federal.
As investigações, que tramitam sob sigilo, apontam que o grupo utilizava a estrutura portuária do Rio Grande do Norte como rota para o envio de cargas de drogas para a Europa. Segundo a PF, o esquema operacional envolvia a prática de fraudes documentais em operações de comércio exterior. Para ocultar a origem dos valores ilícitos, a organização empregava empresas de fachada e a interposição de terceiros, conhecidos no meio como "laranjas".
Além das prisões, a operação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 30 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados. A Justiça também determinou o sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 35 milhões. Entre os objetos apreendidos nas diligências desta manhã estão veículos de alto padrão e relógios de luxo, que serão periciados para comprovar a ligação com as atividades ilícitas.
No Pará, a Polícia Federal cumpriu mandados específicos visando desmontar células de apoio logístico e financeiro da quadrilha no estado. A escolha do Pará como um dos teatro de operações decorre da identificação de movimentações financeiras suspeitas que transitavam por contas bancárias na região, integrando o ciclo de lavagem de capital capitaneado pelo grupo.
A investigação segue a tipificação prevista na Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/98) e na Lei de Drogas (Lei 11.343/06). As prisões preventivas foram decretadas com base no artigo 312 do Código de Processo Penal, sob a argumentação de garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, dada a complexidade das transações internacionais investigadas.
Os nomes dos investigados não foram divulgados pela PF, respeitando o sigilo das investigações em fase inicial. Até o fim da manhã desta terça, a delegacia responsável pelo caso não informou o balanço final das prisões efetivadas em cada estado. A defesa dos investigados ainda não foi oficiada sobre o conteúdo integral do inquérito.
Com a expansão das investigações, a PF analisa now a conexão da quadrilha com cartéis de drogas no exterior e a possibilidade de novas prisões em fases subsequentes da operação. O inquérito policial deve ser remetido ao Ministério Público Federal após a conclusão dos primeiros atos instrutórios, para oferta da denúncia criminal.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



