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Nortícia CulturaTemporada 2026

OSA abre temporada com concerto gratuito e identidade amazônica no ICBEU

Orquestra busca unir tradição e identidade regional em apresentação gratuita sob regência de Rubens Cláudio.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
02 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 491 palavras
Maestro rege orquestra iluminada no palco do teatro ICBEU em Manaus.
Orquestra busca unir tradição e identidade regional em apresentação gratuita sob regência de Rubens · Foto: Redação Nortícia

O som de um oboé afinando raspa o silêncio do Teatro ICBEU antes que as luzes baixem. É um agudo que corrige o ouvido e estica a expectativa de quem ocupa as poltronas de veludo vermelho. Em Manaus, onde o calor úmido beija a pele ao sair à rua, o ar condicionado do teatro funciona como um refúgio acústico perfeito para a Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA). É lá, dentro dessa caixa preta no coração da cidade, que a temporada de 2026 começa na próxima quarta-feira (3), às 20h, com entrada franca.

A noite não é apenas um concerto de estreia; é uma declaração de princípios. A OSA encara o desafio de ser um organismo sinfônico genuinamente amazônico sem ignorar a grande história da música universal. No palco, o repertório propõe um diálogo: o peso dos compositores clássicos internacionais divide espaço com a música contemporânea brasileira. É o velho abrindo portas para o novo, a Europa romântica encontrando o ritmo tropical.

A batuta quem segura é Rubens Cláudio, o maestro fundador que idealizou a orquestra. Ele conduz não apenas os músicos, mas a narrativa de uma instituição que quer se firmar para além da ópera de tijolos do Teatro Amazonas. Atrás dele, dezenas de instrumentos — sopros, madeiras, metais e o cordame inteiro — formam uma massa sonora que preenche o ambiente com uma textura física, quase tátil.

Nikolay Sapoundjiev, diretor executivo da OSA, desenhou o programa com essa dualidade em mente. A ideia é afastar a música clássica do pedestal de distância e trazê-la para perto da identidade local. "Estamos pretendendo desenvolver uma orquestra genuinamente brasileira e amazônica e, é claro, sem deixar de lado a grande história da música que contém este organismo sinfônico", afirmou Sapoundjiev sobre a programação que marca essa nova fase.

Ver a sinfônica toca em Manaus tem um sabor particular. A plateia é uma mistura de estudantes de música, aposentados fiéis e curiosos que buscam uma experiência estética fora do circuito dos shoppings. O som dos violinos subindo em glissando encontra o eco das madeiras do teatro histórico. Não se trata de exotismo; trata-se de pertencimento. Ou uma execução complexa de um quarteto de cordas, nota-se a técnica e o suor dos músicos locais.

A escolha do Teatro ICBEU também é significativa. Menos formal e imponente que o Amazonas, o espaço oferece uma intimidade que permite ver as franzidas dos músicos e o movimento dos arcos de perto. É ali que a tradição erudita ganha um ar de conversa de sala de estar, onde a música flui sem a rigidez dos figurinos de gala de outrora. A cultura manauara se reinventa nesses recortes, mostrando que há espaço para o clássico na rotina da floresta.

O concerto de abertura da Orquestra Sinfônica da Amazônia acontece na próxima quarta-feira (3), às 20h, no Teatro ICBEU, no Centro de Manaus. A entrada é gratuita, mas recomenda-se chegar com antecedência para garantir lugar e ouvir a orquestra se afinar.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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