Circuito Junino de Rio Branco une quadrilhas e Copa do Mundo com programação em duas fases
Acontece nos dias 12 a 21 de junho entre a Praça da Revolução e o Quadrilhódromo; projeto inclui telão para jogos da Seleção.
O cheiro de pólvora misturado ao de milho verde assado já começa a tomar o ar do Segundo Distrito. Foi ali, ao lado da luz potente do Estádio Arena da Floresta, que o Quadrilhódromo acordou para o 18º Circuito Junino de Rio Branco nesta segunda-feira. O lançamento oficial marcou não só o início dos ensaios, mas também o Dia do Quadrilheiro, uma data que homenageia quem realmente dá corpo à festa: o povo que veste a roupa de caipira e dança no asfalto quente da Amazônia.
Este ano, a prefeitura investiu R$ 600 mil para garantir que a tradição não fique só no papel, mas se espalhe por dois pontos da cidade. A programação é dividida como quem reparte um bolo de fubá: primeiro vai para a Praça da Revolução, no Centro, entre os dias 12 e 14 de junho, e depois migra para o Quintilhódromo, no Segundo Distrito, de 19 a 21 de junho. É uma forma de levar o forró para perto de quem mora no centro e valorizar a estrutura dedicada no bairro da Arena.
Mas há um ingrediente novo na receita de 2026 que mistura o sagrado e o profano do calendário brasileiro. Entre uma quadrilha e outra, entra em campo o projeto “Rio Branco Torce Junino”, uma parceria com a Rede Amazônica Acre para levar a Copa do Mundo para a praça. A promessa é instalar um telão na Praça da Revolução com estrutura de conforto e segurança para que a torcida possa gritar os gols da Seleção sem deixar de comer canjica. É o Norte se adaptando: a bola rolando no telão e o pé-de-serra ao vivo, tudo no mesmo terreiro.
Para quem entende da cultura local, o Circuitos Junino é mais do que atração de governança; é o momento em que os grupos de quadrilha, que ensaiam o ano inteiro, mostram o resultado do suor. Festa junina em Rio Branco tem uma textura particular. Não existe o frio de Minas, mas existe uma vontade coletiva de celebrar a colheita, mesmo que seja simbólica, e de manter viva a música nordestina que ecoa nos rios da região há décadas.
A expectativa é grande para a abertura, na próxima terça-feira, 12. A Praça da Revolução deve ficar apertada, com bancos ocupados e muito tecido colorido. A prefeitura prepara o espaço para receber multidões tanto para a modalidade quanto para o futebol. É um desafio logístico, mas também uma oportunidade de democratizar o acesso aos dois maiores entretenimentos do mês de junho no país.
Quem for conferir de perto vai notar o detalhe da maquiagem dos quadrilheiros, o brilho excessivo das botas e a coordenação dos marcadores de frente. E quando o jogo começar, o ritmo muda, mas a alegria continua. O calor do Acre faz com que a cerveja estique rápido e a animação redobre.
A festa começa no dia 12 de junho, às 18h, na Praça da Revolução, com transmissão do jogo do Brasil logo em seguida. No dia 19, o foco muda para o Quadrilhódromo. A entrada é franca e o convite é para esquecer os problemas por algumas horas. Basta chegar, seguir o som da sanfona e, se a vontade bater, torcer para o Pentacampeonato comendo um milho na mão.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



